
Na tarde desta quinta-feira (07), a rotina silenciosa de uma obra na Vila Irmã Dulce, zona Sul de Teresina, foi rasgada pelo som seco de disparos de arma de fogo — pelo menos doze. No chão, ficou João Henrique de Sousa Silva, 22 anos, servente de pedreiro, trabalhador, surpreendido e executado com mais de dez tiros enquanto desempenhava seu ofício.
Segundo relatos preliminares, dois homens chegaram em uma motocicleta, desceram e atiraram sem piedade. Um ficou no veículo; o outro avançou contra o jovem e disparou de forma calculada e repetitiva. Não foi um ato impulsivo — foi execução. “Pelo menos 12 disparos, cerca de 10 acertos”, detalhou o tenente Marcos, da Polícia Militar, reforçando o grau de crueldade do ataque.
Outro rapaz, que também trabalhava no terreno, conseguiu fugir. João Henrique não teve a mesma sorte. Morreu antes que qualquer socorro pudesse chegar. O Instituto de Medicina Legal (IML) fez a remoção do corpo.
A motivação? Ainda é mistério. O histórico da vítima? Não confirmado. Os suspeitos? Fugiram em alta velocidade pela BR-316, em destino ignorado. Como de costume, o caso foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que agora tenta juntar as peças dessa execução à luz do dia.
O crime traz, mais uma vez, à tona a sensação de que a vida, nas periferias, vale muito pouco para quem puxa o gatilho — e que a ousadia dos criminosos cresce na mesma proporção da ineficiência do Estado em combatê-los. Executar um jovem, em plena tarde, num local movimentado, é mais que violência: é uma declaração pública de poder por parte do crime organizado ou de desafetos que se sentem imunes à lei.
Enquanto as respostas não chegam, uma família chora, vizinhos se calam e a cidade acumula mais um nome na lista de vidas interrompidas. João Henrique não volta. E Teresina segue assistindo à banalização da morte.
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