
Tá dominado. Tá tudo dominado.
Em Teresina, mata-se com a luz do sol no rosto e com o dedo no gatilho. Mata-se em calçadas, lojas, bares, avenidas, esquinas. Mata-se com pressa, mas sem medo. O medo agora é só da população - refém do silêncio, do recuo do Estado, da ousadia das facções.
O crime do dia, desta vez, foi dentro de uma metalúrgica no bairro Alto da Ressurreição, zona Sudeste da capital. A vítima: Ronalti Carlos Fernandes da Silva, 23 anos. Executado a tiros, à queima-roupa. Tentou fugir, correu para dentro do estabelecimento, mas foi caçado e morto. Como se estivesse em território inimigo. Como se a vida valesse menos que uma munição.
Não foi o primeiro. Aliás, o segundo na região em menos de 24 horas. Terá alguma ligação? Uma coisa é certa: não será o último.
Na mesma região, um sargento da Polícia Militar já foi morto. A ousadia não poupa mais nem quem veste farda. E por quê? Porque o Estado perdeu o controle. E o crime percebeu. A criminalidade entendeu que agora é só ocupar o espaço vago. E ocuparam. Com armas, com motos, com rádios, com tribunais do crime.
A polícia está na rua. Mas está sozinha. Falta inteligência. Falta integração entre as forças. Falta o braço do Ministério Público. Falta a mão pesada da Justiça. E, principalmente, falta vontade política. Combater facções com viaturas é o mesmo que tentar conter enchente com balde.
E o Ronalti? Quem era? Por que morreu? A quem devia? A quem incomodava?
Perguntas que talvez nunca sejam respondidas. Porque em Teresina o silêncio também virou arma. E quem fala demais, não vive muito. Aqui, os criminosos são juízes, promotores e executores - e a pena é sempre a morte.
Estamos vivendo um tempo em que a normalidade é o absurdo. Onde uma cidade inteira se acostuma a corpos no chão, sirenes no ar e manchetes manchadas de sangue a TV.
O caso de Ronalti está sendo investigado pela Polícia Civil.
Enquanto isso, as autoridades fazem promessas. Inquéritos se empilham. E as famílias se despedem.
Teresina está dominada. E quem deveria protegê-la, parece dominado também.
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