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Quando o amor adoece: por que precisamos falar sobre relacionamentos abusivos

Relacionamentos abusivos não se definem apenas pela violência física — que, muitas vezes, é o último estágio do ciclo de controle. Antes disso, a vítima é minada emocionalmente, tem sua autoestima corroída e sua independência reduzida.

28/07/2025 às 15h42
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Reprodução/Instagram
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É difícil imaginar que algo que começa com promessas de cuidado e carinho possa terminar em agressão física, sofrimento psicológico e traumas profundos. Mas essa é a realidade de milhares de pessoas que se veem presas em relacionamentos abusivos. A atriz Thaís Vaz, conhecida por sua participação na novela Malhação: Seu Lugar no Mundo, é uma dessas vozes que teve coragem de romper o silêncio — e seu relato é um alerta urgente.

Aos 19 anos, Thaís sofreu uma agressão violenta de seu então namorado, um modelo que conheceu na adolescência. Após um episódio de ciúmes, ele jogou um celular contra ela com tanta força que o impacto causou um descolamento de retina, levando à perda total da visão de um dos olhos. O caso aconteceu em 2015, mas foi apenas em 2024 que a atriz decidiu falar publicamente sobre o que viveu.

E o mais perturbador disso tudo? O relacionamento já apresentava sinais claros de abusos desde o início.

“Ele me pediu em namoro em um dia em que teve uma crise de ciúmes. Eu me senti amada por aquilo. Não percebi que era abuso”, relatou a atriz.

Esse trecho diz muito. Mostra como, muitas vezes, o abuso se disfarça de zelo, de paixão intensa, de um “amor” que parece protetor, mas que na verdade sufoca. É assim que muitos relacionamentos tóxicos começam: não com um tapa, mas com uma manipulação emocional, com a tentativa de isolar, com pequenas críticas constantes, com o controle disfarçado de preocupação.

Como identificar um relacionamento abusivo?

Relacionamentos abusivos não se definem apenas pela violência física — que, muitas vezes, é o último estágio do ciclo de controle. Antes disso, a vítima é minada emocionalmente, tem sua autoestima corroída e sua independência reduzida.

Alguns sinais de alerta incluem:

  • Ciúmes excessivo disfarçado de “cuidado”;

  • Isolamento de amigos e familiares;

  • Controle sobre o que você veste, com quem fala, onde vai;

  • Desvalorização constante das suas conquistas e opiniões;

  • Medo de contrariar a outra pessoa.

Thaís também revelou que, durante o relacionamento, ouvia frases como: “Se você me deixar, ninguém mais vai te querer, porque você é uma menina de um olho só”. Uma tentativa cruel de aprisioná-la emocionalmente, usando a agressão que ele próprio cometeu como arma psicológica.

Por que é tão difícil sair?

Muita gente questiona: “por que ela não foi embora antes?”. A resposta está no ciclo do abuso, que se alterna entre momentos de tensão, explosão e “lua de mel” — quando o agressor pede perdão, promete mudar, se mostra amoroso novamente. A vítima passa a duvidar de si mesma, sente culpa, vergonha e medo. Muitas vezes, sequer reconhece que está em uma situação de violência.

Além disso, o julgamento social é cruel. Vítimas de abuso ainda são vistas com desconfiança, como se fossem corresponsáveis pelo que viveram. Thaís chegou a ouvir que estava “querendo aparecer” ao denunciar. Esse tipo de discurso silencia e desmotiva outras mulheres a romperem o ciclo.

Como sair de um relacionamento tóxico?

Não existe fórmula mágica, mas existem caminhos possíveis:

  • Reconhecimento: perceber que aquilo não é amor, mas abuso.

  • Rede de apoio: contar com amigos, familiares ou profissionais que ofereçam suporte emocional e prático.

  • Ajuda especializada: psicólogos, assistentes sociais e canais de denúncia como o Disque 180 podem orientar e proteger.

  • Autocuidado: reconstruir a autoestima leva tempo, mas é possível. Terapia é uma aliada essencial nesse processo.

Thaís Vaz, hoje com 28 anos, disse que só conseguiu se libertar após iniciar um tratamento psicológico: “Foi quando a minha visão começou a voltar, a emocional, porque a física não voltou mais”.

Essa frase é poderosa. Ela mostra que, mesmo marcada por uma perda irreversível, é possível retomar o controle da própria vida. Thaís encontrou forças para denunciar, reconstruir sua carreira e, mais importante, sua identidade.

O que aprendemos com histórias como essa?

Que o amor não fere. O amor não machuca, não controla, não humilha. Se há medo, culpa, dor, chantagem — então não é amor, é abuso.

Precisamos falar mais sobre isso, com clareza e responsabilidade. Ensinar jovens a identificar sinais de relacionamentos tóxicos desde cedo. Romper o mito do ciúme como prova de amor. E oferecer apoio real a quem está tentando sair.

Histórias como a de Thaís Vaz não podem ser ignoradas. Elas são duras, mas necessárias. Porque se uma mulher levantar a cabeça depois de ouvir esse relato e perceber que está vivendo algo semelhante, talvez ela encontre coragem para mudar o rumo da própria história.

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