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Polícia FEMINICÍDIO

“Não atira em mim”: o clamor de Sarah Denise antes de ser assassinada pelo ex em Beneditinos (PI)

Aos 17 anos, a jovem foi vítima de feminicídio cometido pelo ex-companheiro, de 35 anos. O crime brutal, presenciado por amigos, escancara o machismo estrutural e o aumento alarmante da violência contra mulheres no Piauí

28/07/2025 às 11h47
Por: Douglas Ferreira
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Sarah Denise vítima de feminicídio - Foto: Reprodução
Sarah Denise vítima de feminicídio - Foto: Reprodução

Sarah Denise, 17 anos, não morreu em silêncio. Suplicou por sua vida: “Não atira em mim!” - um pedido desesperado que ecoa agora como símbolo de uma tragédia anunciada, em mais um capítulo cruel da violência de gênero que assola o Brasil. A jovem foi assassinada com um tiro nas costas, no dia 13 de julho de 2025, na localidade Lages, zona rural de Beneditinos (PI), a 91 km de Teresina, pelo ex-companheiro Fábio Rodrigues Braga, de 35 anos.

Testemunhas relataram cada momento. Ele a perseguiu com olhares durante um jogo de futebol, tentou forçá-la a aceitar uma reaproximação e, após ouvir mais um “não”, reagiu como tantos outros homens que veem mulheres como posse: com ódio e violência.

O crime: frieza, rejeição e brutalidade

Durante um momento de lazer no bar onde ocorria a partida de futebol, Fábio, mesário do jogo, demonstrava inquietação. Não tirava os olhos de Sarah, que estava acompanhada de amigos. Após cumprimentá-la e sair do local, voltou pouco depois e a observava com insistência. Minutos depois, no banheiro do bar, tentou abraçá-la e beijá-la à força. Diante da resistência de Sarah, sacou a arma.

“No máximo, poderia haver um abraço de amizade”, teria dito a jovem antes de ver a arma ser apontada para si.

Fábio Rodrigues Braga matou Sarah Denise a sangue frio - Foto: Reprodução

A arma falhou duas vezes. Mesmo diante disso, Sarah não correu. Suplicou: “Não atira em mim!” Mas Fábio não teve clemência. Mais tarde, quando o grupo já estava prestes a ir embora, ele surgiu por trás e atirou. A bala transfixou o corpo de Sarah e ainda feriu um amigo.

Tentativa de suicídio, internação e prisão

Após o crime, Fábio foi contido por populares, mas conseguiu escapar. Em casa, confessou à família que tinha feito “besteira” e tentou se enforcar. Foi encontrado pendurado por uma corda e socorrido. Internado em estado grave na UTI do Hospital Natan Portella, em Teresina, teve 50% do cérebro comprometido. A Justiça decretou sua prisão preventiva.

A arma usada no crime pertencia ao irmão do autor, um sargento da Polícia Militar. Fábio pegou o revólver escondido durante uma “farinhada” familiar, em um claro ato premeditado.

A investigação e o indiciamento

O delegado Paulo Roberto indiciou Fábio por feminicídio e lesão corporal grave. Segundo os investigadores, a motivação do crime foi o término do relacionamento. Depoimentos apontam que Fábio não aceitava o fim e cultivava obsessão pela jovem. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.

Especialista alerta: feminicídio é sintoma de machismo estrutural

Para a socióloga Marcela Castro, o assassinato de Sarah Denise é mais um exemplo de como a misoginia e a cultura de posse ainda pautam o comportamento de muitos homens. Segundo ela, esse tipo de feminicídio íntimo, cometido por ex-companheiros, é impulsionado por um perfil de masculinidade tóxica:

“Esses homens não aceitam ser contrariados, não aceitam o fim da relação porque se julgam donos da mulher.”

Ela reforça ainda que o feminicídio é, quase sempre, o fim de um ciclo de violências anteriores - verbais, psicológicas, morais ou físicas — e que o silêncio da vítima, muitas vezes, é resultado do medo, da dependência ou da ausência de apoio.

Feminicídios crescem no Piauí

O estado do Piauí vive uma epidemia de feminicídios. Dados do Mapa da Segurança Pública de 2025 revelam um crescimento de 42,86% nos casos entre 2023 e 2024:

  • 2023: 28 casos

  • 2024: 40 casos

Teresina está entre as quatro capitais brasileiras com maior número de feminicídios registrados neste ano.

Violência contra a mulher: é preciso denunciar

Sarah não está mais aqui para contar sua história. Mas seu grito por socorro deve ecoar por todas que ainda vivem relações abusivas. O Estado e a sociedade precisam agir antes que o ciclo da violência culmine na morte.

Se você ou alguém que conhece está sofrendo qualquer tipo de violência doméstica, não se cale.

📞 Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher)
📱 WhatsApp 0800-000-1673
📲 Solicite medida protetiva online via aplicativo Júlia

Sarah, presente! Que sua voz jamais seja esquecida.

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