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Polícia FINANCIANDO TRÁFICO

Conheça os cinco indiciados pela morte do adolescente Carlos Alexandre, de 14 anos

Entre os acusados estão líderes de facção, executores e até um músico que cedeu sua caminhonete para o sequestro. Todos tiveram participação na execução brutal do menor, morto por engano em Teresina

26/07/2025 às 17h23
Por: Douglas Ferreira
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Michael Rodrigues, Mateus Vinícius, Francisco das Chagas, o Rato, e Reginaldo Martins - Foto: Reprodução
Michael Rodrigues, Mateus Vinícius, Francisco das Chagas, o Rato, e Reginaldo Martins - Foto: Reprodução

Era só um garoto. Carlos Alexandre Pereira de Sousa, 14 anos, jamais imaginaria que caminhar até uma região rival poderia lhe custar a vida. Não tinha ficha criminal, não era membro de facção, não carregava armas. Mas acabou morto como se fosse. Morto por engano, por suspeita, por território. Como se fosse descartável.

Carlos morreu sem entender por quê. E a cidade também não entendeu.

Foi no dia 26 de maio, em Teresina, que ele desapareceu. Abordado por homens armados, foi levado à força em uma caminhonete prata. Seu corpo, encontrado dez dias depois, apresentava um tiro na cabeça e estava em avançado estado de decomposição. O que veio à tona depois foi ainda mais perturbador: ele morreu por engano, confundido com um suposto integrante de facção rival.

E o mais estarrecedor: entre os indiciados pelo crime está um músico, usuário de drogas, que emprestou seu veículo de luxo como garantia de pagamento na “boca”. O mesmo carro foi usado no sequestro e na execução do adolescente. Ele não puxou o gatilho, mas colaborou conscientemente com a morte de Carlos. E, sim, foi indiciado.

O delegado Jorge Terceiro, titular da Delegacia de Desaparecidos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) não tem dúvida. Ao deixar o veículo na boca, sabendo do que o tráfico é capaz, Reginaldo Martins assumiu o risco. Para Terceiro o músico cometeru o chamado "dolo eventual".

O caminhote de luxo que o músico deixou empenhada por uma porção de droga e foi usada para assassinar o adolescente - Foto: Reprodução

A linha de execução

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu o inquérito e responsabilizou cinco pessoas pelo assassinato brutal:

  • Francisco das Chagas Sousa, o “Rato”: líder do Bonde dos 40 no bairro Três Andares, apontado como mandante e articulador do crime.

  • Mateus Vinícius Ribeiro dos Santos, o “Pé de Porco”: executor direto, participou do sequestro e da execução.

  • Michael Rodrigues de Freitas: outro executor, envolvido na operação criminosa.

  • Reginaldo de Freitas Martins: músico que cedeu conscientemente a caminhonete usada na ação, mesmo sabendo do uso criminoso.

  • Um adolescente: identidade preservada, será responsabilizado pela Delegacia do Menor Infrator.

A droga que você consome, mata

Este caso vai além de mais um número na estatística de homicídios. Ele escancara a cadeia de cumplicidade que sustenta o tráfico de drogas. O carro usado para matar Carlos foi entregue por um músico em troca de entorpecentes. Um usuário. Um “recreativo”, talvez. Como tantos outros que se dizem “do bem”, universitários, ativistas, pacifistas - mas que alimentam o sistema que tortura e mata jovens como Carlos Alexandre.

E não adianta gritar "Paz!" em redes sociais ou nas ruas enquanto se banca, nas sombras, os horrores das facções. O tráfico não se sustenta sozinho. Ele precisa de demanda. Precisa de consumidor. Precisa de conivência. E enquanto houver quem compre, haverá quem mate.

Quando o inimigo é interno

Carlos Alexandre morava na Vila da Guia, zona Sudeste da capital piauiense - área sob influência do Primeiro Comando da Capital (PCC). A travessia para a zona Sul, onde predomina o Bonde dos 40, custou-lhe a vida. Segundo o delegado Jorge Terceiro, a execução foi motivada por disputa territorial. E, ironicamente, o assassino conhecia a vítima - já haviam sido vizinhos.

E agora?

A sociedade que chora Carlos Alexandre é a mesma que alimenta a engrenagem que o matou. O traficante que aperta o gatilho é só o último elo. Há outros tão ou mais responsáveis: quem financia, quem silencia, quem relativiza. E, sim, quem romantiza o tráfico ou consome a droga que sustenta as facções.

Carlos Alexandre morreu por engano. Mas o erro não foi só de quem atirou. Foi também de quem fez vista grossa para o crescimento do crime, de quem cruza os braços, de quem se recusa a enxergar a podridão que nos cerca.

Quantos mais vão precisar morrer até que essa ficha caia?

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