
Enquanto algumas capitais brasileiras experimentam avanços na segurança pública, outras seguem mergulhadas em uma rotina de medo, tiros e luto. O novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 joga luz sobre uma realidade que insiste em nos confrontar: Salvador é, hoje, a capital mais violenta do Brasil, com uma taxa alarmante de 52 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O dado, por si só, é um grito. Mas o silêncio institucional diante disso é ainda mais ensurdecedor.
Sim, o Brasil teve a menor taxa de mortes violentas desde 2012 — 20,8 por 100 mil. Mas quem realmente está colhendo os frutos dessa redução? Certamente, não é o Nordeste. A região registra uma taxa muito acima da média nacional: 33,8 por 100 mil habitantes, número que revela uma ferida aberta e ignorada por políticas públicas eficazes.
Salvador, com seus quase 3 milhões de habitantes, superou até o Rio de Janeiro em mortes absolutas — cerca de 1.300 em 2024. O que deveria ser uma capital vibrante, com riqueza cultural e potencial turístico, torna-se manchete por ser campeã de homicídios. Que futuro estamos construindo para uma juventude que, em vez de escola, encontra esquinas ocupadas pelo tráfico, pela ausência do Estado e pela desesperança?
O problema não é apenas a criminalidade. É o abandono estrutural. É a desigualdade que grita nas favelas, é a falência de políticas de prevenção, é o olhar seletivo que enxerga o crime como caso de polícia — e não como fruto da miséria, da falta de oportunidade e do racismo estrutural que marca a história do Nordeste.
Enquanto São Paulo ostenta a menor taxa de mortes violentas do país (8,2 por 100 mil), o Norte e o Nordeste somam os piores índices. Estados como Amapá (45,1), Bahia (40,6), Ceará (37,5) e Pernambuco (36,2) lideram o ranking nacional da violência. Isso não é coincidência — é consequência. E ignorar isso é manter o país dividido entre o Brasil que vive e o Brasil que sobrevive.
Também chama atenção o crescimento da letalidade policial, que representa agora 14,1% de todas as mortes violentas no país. A resposta do Estado continua sendo a bala — geralmente disparada contra os mesmos corpos: negros, jovens e pobres. Não é segurança. É execução seletiva sob o disfarce da ordem.
Não há fórmula mágica. Mas há caminhos: educação de qualidade, assistência social, urbanização das periferias, acesso à cultura e trabalho digno. Combater a violência com mais violência é apagar incêndio com gasolina. Enquanto o foco estiver apenas em prender e matar, estaremos apenas colhendo corpos, não soluções.
Salvador está chorando. E não chora sozinha. Cada cidade nordestina que lidera esse triste ranking pede socorro. A pergunta é: até quando vamos ignorar?
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