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Polícia CRIME POR CIÚMES

Mulher é presa suspeita de incitar assassinato em triângulo amoroso em Teresina

O que leva uma jovem de 20 anos a planejar a morte de um rapaz de 23? Que tipo de construção emocional estamos permitindo que se desenvolva entre nossos jovens, onde a morte se torna uma opção diante da rejeição?

24/07/2025 às 13h33
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O que era para ser apenas o fim de um relacionamento terminou em tragédia. Nesta quinta-feira (24), a Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), prendeu Sabrina Graziele Pereira Dourado, de 20 anos, suspeita de ter incitado o assassinato de Alef Oliveira de Lima, de 23 anos. O crime ocorreu no dia 21 de junho, no bairro São Joaquim, zona Norte de Teresina.

Segundo as investigações, Sabrina teria sugerido ao namorado, identificado como Breno, que desse um "susto" em Alef, movida por ciúmes em um triângulo amoroso que envolvia os três. Em mensagens trocadas pelo casal, foi mencionada a ideia de incendiar a motocicleta de Alef. Um dia depois, o jovem foi assassinado com um tiro na cabeça enquanto verificava sua moto, que havia sido incendiada.

Imagens de câmeras de segurança e prints de conversas reforçam a tese de que a jovem teve participação direta na preparação da emboscada. Em publicações nas redes sociais feitas após o crime, Sabrina chegou a escrever que “as coisas saíram do controle”, o que reforçou a convicção da polícia sobre sua influência nos eventos que culminaram no homicídio.

Quando a paixão ultrapassa o limite do razoável

Casos como o de Alef revelam uma ferida social muitas vezes negligenciada: a incapacidade de lidar com o fim de uma relação. O que deveria ser um processo doloroso, mas natural, se transforma em terreno fértil para o ódio, a possessividade e o desejo de vingança. Quando o amor adoece, ele deixa de ser afeto e passa a ser controle. E quando esse controle é ameaçado, a violência se apresenta como resposta.

Não é raro ver notícias de crimes passionais, mas o que choca nesse caso é a frieza envolvida: o plano arquitetado, o incêndio do veículo como distração, a execução em plena rua, e tudo isso impulsionado por sentimentos descontrolados e pelo uso irresponsável das redes sociais como palco para desaforos, indiretas e exibições de poder.

O que leva uma jovem de 20 anos a planejar a morte de um rapaz de 23? Que tipo de construção emocional estamos permitindo que se desenvolva entre nossos jovens, onde a morte se torna uma opção diante da rejeição?

Enquanto não tratarmos ciúmes doentios, relacionamentos abusivos, masculinidade tóxica e o culto à violência como questões sociais urgentes — e não apenas como dramas pessoais — seguiremos vendo Alefs morrerem por nada.

A prisão de Sabrina pode trazer alívio à família da vítima, mas jamais trará justiça completa. Porque justiça de verdade começa antes do crime: começa com educação emocional, com prevenção, com diálogo. O que vimos em Teresina não é apenas um homicídio: é o retrato de uma sociedade que ainda precisa aprender a amar — e, principalmente, a deixar ir.

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