
Os números da última PNAD Contínua (IBGE) revelam uma realidade que ainda inquieta: 18,5% dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham. É o retrato de uma geração que, apesar de nascer conectada e em um mundo de possibilidades, ainda esbarra em barreiras antigas — como a falta de oportunidades, a informalidade e a desigualdade social.
Embora o índice tenha melhorado em relação a 2023 (19,8%) e 2019 (22,4%), os dados ainda apontam que quase um em cada cinco jovens da chamada geração Z está à margem das engrenagens produtivas do país. Esse cenário não pode ser normalizado, muito menos ignorado. Trata-se de um alerta — mas também de um convite à ação.
Em 2025, a Política Nacional de Juventude completa 20 anos. Um marco importante, sim, mas que precisa ser mais do que uma data comemorativa. Precisa ser um ponto de virada. A juventude brasileira continua a viver entre promessas e frustrações. Falta-lhes mais que diplomas ou vagas no mercado: falta um projeto real de país que enxergue o jovem não como problema, mas como solução.
A boa notícia é que, onde há investimento e confiança, há retorno. Um exemplo claro disso vem do setor produtivo, que começa a entender que inclusão e desenvolvimento caminham juntos.
Mais do que celebrar dados positivos, é hora de ampliar as pontes. Não basta esperar que os jovens se adaptem ao sistema — é o sistema que precisa se adaptar à urgência deles. A juventude quer mais do que ser ouvida; quer ser protagonista.
Investir nos jovens é apostar no futuro do Brasil. É romper com ciclos de exclusão e resgatar a crença de que há espaço, sim, para crescer com dignidade. Se a geração Z é inquieta, conectada e exigente, cabe a nós criar ambientes que estejam à altura desse potencial.
A juventude não pode mais esperar. E o Brasil não pode se dar ao luxo de desperdiçá-la.
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