
Os esquemas de corrupção com dinheiro público continuam a florescer impunes pelo Brasil, agora dentro da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS), em Teresina. Nesta quarta-feira (23), a Polícia Civil escancarou a fraude por trás do cancelamento ilegal de 2.215 multas de trânsito, que resultou em um prejuízo de R$ 503 mil aos cofres públicos e ainda eliminou 12 mil pontos de CNHs de infratores privilegiados.
Segundo o Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR), servidores públicos e terceirizados da STRANS agiam diretamente no sistema para excluir multas - sempre a mando de superiores ainda não identificados ou a serviço de “grupos específicos”.
A fraude ocorria desde fevereiro e se estendeu por pelo menos cinco meses.
Os envolvidos já foram identificados: há servidores da casa, funcionários contratados e indícios de interferência externa e política.
De um lado, motoristas privilegiados saíam sem pagar multas e sem perder pontos na carteira. Do outro, a população de Teresina arcava com o rombo. Ao todo, as irregularidades retiraram R$ 503 mil do erário.
Durante a Operação Reset, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária. O servidor preso já está afastado, e outros nomes também devem ser removidos das funções. A STRANS promete abrir procedimentos administrativos disciplinares para apurar responsabilidades internas.
A polícia trabalha para esclarecer quem eram os verdadeiros mandantes da fraude. Segundo o delegado Ferdinando Martins, a prioridade é descobrir se a ordem partiu de autoridades ou de grupos políticos com interesse no esquema.
Os investigados podem responder por associação criminosa, inserção ou exclusão indevida de dados em sistema público e outros crimes, com penas que podem chegar a 12 anos de prisão.
Gerente da Strans de 'Dr. Pessoa' está entre os alvos
A Operação Reset, deflagrada nesta quarta-feira (23) pelo DECCOR, atingiu nomes ligados à gestão de Dr. Pessoa na Superintendência de Trânsito de Teresina (Strans), incluindo o ex-gerente de Gestão de Trânsito Daniel Lima Araújo, hoje vice-presidente da Federação de Futebol do Piauí (FFP). Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência, em Timon (MA), por suspeita de participação no esquema que cancelou ilegalmente mais de 2 mil multas com aval do então superintendente Bruno Pessoa, também investigado.
Segundo relatório obtido pela Coluna, o esquema fraudulento operava com conhecimento de Bruno Pessoa e Daniel Araújo, que ocupou cargos comissionados na Gerência de Trânsito e Fiscalização até ser substituído pelo coronel Edvaldo Marques, responsável por identificar as irregularidades. A Polícia Civil aponta ainda que o próprio Daniel foi um dos beneficiados com os cancelamentos ilegais das multas investigadas.
Mais um capítulo de um Brasil onde fraudes em contra-cheques de aposentados do INSS, desvios de licitações e cancelamentos de multas viraram rotina. A diferença é que, desta vez, a sujeira está documentada, e os responsáveis já começam a cair. Mas a pergunta que fica é: alguém “graúdo” será punido? Ou mais uma vez só sobrarão bodes expiatórios?
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