
O Piauí deixou de ser apenas um corredor para o tráfico de maconha e já se consolida como produtor da droga em grande escala. O caso mais recente aconteceu no município de Cristino Castro, a 570 km ao Sul de Teresina, onde a Polícia Civil apreendeu mais de 1,5 tonelada de maconha, cultivada em uma área rural com estrutura sofisticada, incluindo tratores e energia solar. O proprietário da fazenda já foi identificado e deve prestar depoimento nesta terça-feira (22).
Segundo o Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), a plantação contava com cerca de 130 mil pés de maconha, cultivados em larga escala. O delegado Samuel Silveira destacou que a produção era organizada por criminosos ligados a facções de fora do estado.
“Essa droga tinha como destino o Sudeste do país. É uma maconha de qualidade elevada dentro da cadeia do tráfico. A embalagem a vácuo servia para preservar o cheiro e o conteúdo até a prensagem em outro estado”, explicou o delegado.
As terras onde a droga foi cultivada pertencem a um fazendeiro piauiense já falecido, mas continuam sob responsabilidade de seu filho, que administra a propriedade. Segundo apuração da Secretaria de Segurança Pública, a área foi arrendada para uma pessoa do estado do Paraná, cujo nome ainda não foi revelado.
O herdeiro será ouvido para esclarecer como ocorreu o arrendamento, quem é o arrendatário e quais foram as condições para o uso das terras. A suspeita é que ele tenha negligenciado o controle da área, permitindo que traficantes a usassem para montar uma operação milionária.
A estrutura encontrada no local surpreendeu a polícia: placas solares para fornecimento de energia, maquinário agrícola pesado e terreno já preparado para uma segunda safra.
As investigações apontam que a maconha seria enviada ao Sudeste do país, abastecendo centros de distribuição ligados a facções criminosas. O prejuízo estimado para o tráfico é milionário, segundo o DENARC.
Ainda não está claro quem é o arrendatário oficial da fazenda, nem qual o grau de conhecimento do herdeiro sobre o cultivo da droga. Essas são perguntas centrais que a polícia busca responder nas próximas fases da investigação.
Paralelamente ao caso, a Secretaria de Segurança anunciou que irá intensificar operações contra núcleos de facções criminosas atuando em Teresina. O objetivo é sufocar financeiramente e prender os líderes dos grupos.
O Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) já identificou alvos ligados às ameaças contra o delegado Charles Pessoa e a outros integrantes da força policial. Prisões devem ocorrer em breve.
“O recado é claro: facções não terão espaço no Piauí. Vamos seguir sufocando essas organizações”, disse um investigador.
A população pode contribuir com as investigações denunciando atividades suspeitas através dos canais da Secretaria de Segurança Pública ou pelo telefone 190.
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