
É revoltante, doloroso e inaceitável que, em pleno 2025, ainda estejamos contando histórias como a de uma mulher grávida que perdeu seu bebê após ser brutalmente espancada pelo próprio companheiro. O caso aconteceu na última quinta-feira, 17 de julho, em Canto do Buriti, no interior do Piauí. A vítima estava grávida de 32 semanas e sofreu socos e chutes na região abdominal. Horas depois, ela perdeu o bebê em casa, em decorrência direta das agressões — conforme constatado por exames periciais.
O agressor, um homem de 42 anos identificado pelas iniciais A.D. e S., foi preso no domingo (20), após a Justiça decretar sua prisão preventiva. Segundo a delegada Amária Sousa, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher e aos Grupos Vulneráveis (DEAMGV), o suspeito já havia agredido a mulher em outras ocasiões, inclusive durante gestações anteriores.
E aqui está a pergunta que se impõe: por que isso não foi evitado? O que dizer de um sistema que falha em proteger uma mulher repetidamente agredida, mesmo com histórico de violência? Quantas mulheres vão precisar perder filhos, a saúde física e mental, ou até mesmo a vida, até que políticas de proteção saiam do papel e se tornem realidade palpável?
Não se trata apenas de um crime bárbaro. Trata-se de um grito sufocado por justiça. Trata-se da urgência de enxergar que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma ferida social que exige ação coletiva, legislação eficaz e, acima de tudo, empatia.
A prisão do agressor é o mínimo diante da monstruosidade cometida. Mas não basta prender depois que a tragédia acontece. É preciso agir antes. É preciso acolher, proteger, amparar — e, principalmente, ouvir. Quantas vezes essa mulher chorou em silêncio até que o silêncio se tornasse perda?
Este caso precisa nos despertar, nos sacudir. Cada vez que uma mulher é violentada, toda a sociedade é atingida. E quando essa violência destrói também uma vida em formação, não estamos apenas diante de um feminicídio em potencial, mas de um infanticídio indireto. Que esse horror não caia no esquecimento. Que ele nos lembre, todos os dias, do que ainda precisamos mudar.
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