
A Polícia Civil do Piauí concluiu esta semana um inquérito que escancara uma sucessão de crimes cometidos por um servidor público que deveria, por dever de ofício, zelar pela segurança da população. Thiago Henrique Fernandes da Silva Félix, guarda civil municipal de Teresina, foi indiciado pelos crimes de estelionato, roubo majorado e ameaça a mulher em razão do gênero. O agente está preso desde 18 de junho, quando foi detido dentro da sede da Guarda Civil Municipal (GCM), após mandado expedido pela Justiça.
O caso veio à tona após denúncias feitas por responsáveis por postos de combustíveis na zona sudeste de Teresina. De acordo com os relatos, Thiago - devidamente fardado como GCM - abastecia seu veículo particular, deixava um aparelho celular como “garantia” de que retornaria para pagar a conta e desaparecia.
Quando a polícia rastreou os celulares deixados nos postos, descobriu que eles pertenciam a mulheres vítimas de roubo praticado pelo próprio guarda. Segundo a delegada Amanda Bezerra, responsável pela investigação, o padrão se repetia: ele contratava mulheres para programas sexuais, as ameaçava com arma de fogo, obrigava-as a manter relações sem preservativo, roubava seus aparelhos e os utilizava como moeda de troca nos crimes de estelionato.
Durante as investigações, várias vítimas reconheceram o GCM. Uma delas ficou tão amedrontada após ter sido ameaçada que decidiu deixar a cidade. “Ela nos disse que preferia sair de Teresina a conviver com o medo. Ele a ameaçou com arma de fogo”, destacou a delegada Amanda Bezerra. Diante das provas reunidas, a prisão temporária de Thiago foi convertida em prisão preventiva, a fim de garantir a ordem pública e evitar a intimidação de outras vítimas.
O inquérito atual não é a única investigação contra o guarda. Ele já havia sido alvo da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM-Leste) por denúncias de estupro. Conforme a DEAM apurou, o servidor contratava garotas de programa e, no momento do atendimento, se recusava a pagar pelos serviços, forçava as vítimas a relações sexuais sem preservativo e, por vezes, ainda as roubava antes de fugir.
Até o momento, Thiago Henrique Fernandes da Silva Félix ainda não apresentou formalmente sua defesa à imprensa. Durante os depoimentos, segundo a Polícia Civil, ele se manteve em silêncio na maior parte das oitivas, invocando o direito constitucional de não produzir provas contra si.
O caso causa constrangimento para a Guarda Civil Municipal, que abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor. A corporação ainda não comentou oficialmente sobre eventuais medidas disciplinares além da prisão judicial.
- Estelionato: abastecimento fraudulento em postos usando celulares roubados como garantia.
- Roubo majorado: intimidação das vítimas com arma para subtrair bens.
- Ameaça: intimidação psicológica contra mulheres, forçando algumas a abandonar a cidade.
- Estupro: investigações anteriores relatam abusos sexuais durante programas.
O caso agora segue para o Ministério Público, que deverá oferecer denúncia formal à Justiça. Enquanto isso, Thiago permanece preso preventivamente no sistema penitenciário estadual. Caso condenado por todos os crimes, poderá cumprir penas que, somadas, ultrapassam 30 anos de reclusão.
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