
O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro vive, talvez, o maior revés de sua trajetória política e pessoal. Literalmente um calvário. Preso, não por detrás das grades, mas por uma tornozeleira eletrônica que o humilha e o aprisiona de modo simbólico e real. Como ele próprio já disse certa vez, “a vida tem dessas coisas”: quando alguém incomoda poderosos, vira alvo. E incomoda justamente por não ser “domesticado”, por não servir aos projetos daqueles que se acham donos do poder.
Bolsonaro, que carrega “Messias” no nome, foi tomado para Cristo. Tornou-se um bode expiatório nas mãos de um STF que parece disposto a fazê-lo pagar pecados coletivos. A decisão do ministro Alexandre de Moraes nesta sexta-feira (18) não apenas impôs medidas restritivas como também suprimiu um direito inalienável: o de ser pai. O ex-presidente está impedido de se comunicar com o próprio filho - algo sem paralelo nem nas repúblicas mais caricatas da América Latina.
A medida é vista por muitos como excessiva, cruel e política. Afinal, o uso de tornozeleira, o recolhimento noturno, a proibição de redes sociais e o impedimento de falar com aliados diplomáticos não parecem ter respaldo proporcional diante dos fatos. Mesmo criminosos perigosos têm mais liberdade para exercer a paternidade que Bolsonaro agora perdeu.
Nas redes sociais, a reação foi imediata: um verdadeiro “bug” de protestos. Políticos aliados, líderes conservadores e cidadãos comuns criticaram a decisão de Moraes, vista como uma sentença antecipada. O senador piauiense Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil e amigo da família Bolsonaro, foi um dos primeiros a reagir:
“Lamento profundamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Bolsonaro jamais sairia do país. Ele não representa, como nunca representou, nenhum risco para a sociedade”.
Para Ciro, a medida só aumentará a solidariedade dos brasileiros ao ex-presidente:
“Milhões vão dormir hoje com a sensação de que ele merece mais apoio, mais admiração, mais lealdade pelo que está passando”.
A Polícia Federal, por sua vez, alegou que Bolsonaro estaria dificultando a tramitação do processo do suposto golpe, praticando atos que poderiam configurar coação, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional.
Porém, para muitos observadores, o cerco jurídico contra Bolsonaro tem menos a ver com Justiça e mais com política. A pergunta que fica no ar é: o que Moraes pretende ao transformar Bolsonaro num “tornozelado”?
Se a intenção era enfraquecer o ex-presidente, a reação popular indica o oposto: a cada nova humilhação, ele se consolida como mártir para milhões. E isso pode ser um erro estratégico fatal para aqueles que sonham em vê-lo derrotado e esquecido.
ARENA DAS DUNAS Evento de Janja termina com deputada do PT ferida e expõe contradição no discurso da esquerda
FEMINICÍDIO Mulher é encontrada sem vida com faca cravada no rosto; caso choca Teresina
VOX BRASIL “PTMaster” amplia desgaste, pressiona pré-campanha de Lula cai na pesquisa Mín. 21° Máx. 35°