
Em Teresina, ninguém está livre da bandidagem. Ninguém mesmo. Nem a vítima de um assalto ocorrido em março deste ano, que só mais tarde se soube ser servidora do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), escapou da violência cotidiana que assombra a capital.
Na manhã desta sexta-feira (18), o DRACO (Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) prendeu T.C.C. e L.H.C., ambos com antecedentes e investigados por integrarem uma facção criminosa. Eles são acusados de assaltar a servidora do TJ em uma padaria no bairro São João, zona sudeste, no dia 20 de março.
Importante destacar: no momento do crime, os assaltantes não sabiam que a vítima trabalhava no Judiciário — para eles, ela era apenas mais um alvo fácil no cenário caótico de Teresina, onde padarias, supermercados, farmácias e até açougues viraram arenas para criminosos agirem livremente, à luz do dia, sem qualquer receio.
A prisão da dupla só ocorreu após investigação e emissão de mandados, executados hoje nos bairros São João e Parque Eldorado, com apoio da Polícia Civil, Militar e do programa Pacto pela Ordem. Mas o episódio lança uma pergunta incômoda: se a vítima não fosse servidora do TJ, o caso teria tido a mesma resposta das autoridades? Ou apenas engrossaria as estatísticas de assaltos ignorados todos os dias na cidade?
A insegurança é tão generalizada que ninguém se sente realmente seguro ao sair para comprar pão ou fazer compras no bairro. A sensação de abandono é crescente, e a ousadia dos criminosos só aumenta — a ponto de integrantes de facções organizadas, como esses presos hoje, agirem com naturalidade em estabelecimentos movimentados.
A população assiste a um Estado que corre atrás para “apagar incêndios”, enquanto a violência avança por todos os lados. Prisões pontuais como a de hoje são necessárias, mas não bastam. Sem um combate consistente e firme às facções e à cultura da impunidade, o crime continuará reinando sobre a capital.
E o pior: agora resta saber se T.C.C. e L.H.C. permanecerão presos ou se, como de costume, ganharão as ruas já na audiência de custódia para voltar a aterrorizar a população. Se nem a servidora do TJ está segura, imagine o cidadão comum.
Até quando Teresina vai tolerar ser refém de uma criminalidade cada vez mais ousada?
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