Segunda, 29 de Junho de 2026
24°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Polícia MULHERES CRIMINOSAS

Sintonia Feminina: a prova de que o crime já não tem gênero

DRACO desmascara o lado oculto das mulheres nas facções e lança luz sobre a face cada vez mais feminina do crime organizado

16/07/2025 às 07h44 Atualizada em 16/07/2025 às 09h52
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
A Operação Sintonia Feminia prova que o tráfico e o crime não tem gênero - Foto: Reprodução
A Operação Sintonia Feminia prova que o tráfico e o crime não tem gênero - Foto: Reprodução

O que era para ser apenas mais uma operação policial contra o crime organizado no Piauí ganhou contornos muito mais profundos e incômodos: a “Operação Sintonia Feminina”, deflagrada nesta quarta-feira (16) pelo DRACO com apoio da Polícia Militar, expôs o que muitos ainda se recusam a enxergar - o submundo do crime é cada vez menos um “clube masculino” e cada vez mais um território compartilhado por mulheres.

Foram 74 mandados cumpridos em 9 cidades, com 28 mulheres entre os principais alvos, além de um homem. A operação não só retirou de circulação um grupo criminoso bem estruturado como também mandou um recado claro: o crime não tem gênero definido.

A imagem romantizada da mulher como vítima passiva ou coadjuvante do bandido caiu por terra. No Piauí, como já se vê em outras partes do Brasil, elas têm ocupado postos estratégicos nas facções. São disciplinadoras, gestoras da logística, encarregadas de comandar bocas-de-fumo, de intermediar ordens de líderes presos, de garantir que a engrenagem da organização continue rodando. Em alguns casos, são mais organizadas, leais e impiedosas que os próprios homens.

Os números são estarrecedores. A investigação revelou uma rede feminina bem definida, chefiada por mulheres ligadas a lideranças de alta periculosidade, como Marcelo Aparecido Brandão, o “Visionário”, preso anteriormente. Essa “sintonia” entre elas não é só sentimental: é operacional, é um elo essencial para que drogas, armas, dinheiro e ordens circulem entre as grades e as ruas.

O Piauí, que já se acostumou a ver manchetes sobre a ascensão das facções, agora precisa encarar outra realidade dura: as mulheres não são apenas vítimas do crime organizado - muitas vezes, são seu cérebro, sua disciplina e sua alma mais fria.

Para além das prisões, a operação também escancara o fracasso de uma sociedade que se acostumou a olhar para a criminalidade com um viés machista, ignorando a participação ativa de mulheres. É cômodo para o senso comum enxergá-las apenas como “influenciadas pelos companheiros”. Mas não. Muitas já são donas do próprio destino no mundo do crime - e isso é tão perigoso quanto qualquer pistoleiro de plantão.

O DRACO acertou em cheio ao dar nome, rosto e endereço a essas criminosas. E deixou um aviso: não importa se são homens ou mulheres, todos responderão igualmente quando a lei bate à porta.

No crime, não há gênero. Só há escolha. E consequências.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários