
Mais uma vez, um caso de polícia transformou a Avenida Joaquim Nelson, no bairro Dirceu Arcoverde, em palco de medo, fúria popular e caos no trânsito. Na manhã desta terça-feira (15), um homem tomou um carro de assalto, no bairro Novo Horizonte, fugiu em disparada, causou um acidente grave e só foi contido depois de ser baleado durante perseguição. Não se sabe ao certo quem alvejou o bandido.
A cena, infelizmente, já não choca tanto: um criminoso armado abordando inocentes. Desta vez, o alvo foi um Fiat Palio, tomado à força no bairro Novo Horizonte. Segundo relato do passageiro - que, por medo, preferiu o anonimato - ele e a irmã estavam parados numa rua quando dois assaltantes surgiram numa motocicleta.
"Um desceu armado, roubou o carro, e o comparsa escapou na moto", disse a vítima revoltada
Em seguida, o assaltante acelerou pelas ruas da zona Sudeste e, como numa crônica anunciada do absurdo, acabou batendo em um entregador de gás, ferindo o trabalhador e destruindo parcialmente o veículo roubado. Tentou fugir a pé, mas foi alvejado não se sabe ainda por quem e agredido por populares revoltados. Quando já deitado no asfalto, ferido, apareceu sua mãe - desesperada, aos prantos - dizendo que o procurava desde cedo.
O caso tomou contornos ainda mais estarrecedores quando se descobriu que o suspeito, supostamente menor de 16 anos, já é conhecido das autoridades: com uma ficha extensa, ele mesmo teria admitido participação no brutal assassinato e esquartejamento de uma jovem na Vila da Guia. Uma criança sem infância, um adolescente sem redenção, um bandido já formado.
Enquanto tudo isso se desenrolava diante de dezenas de testemunhas, outro personagem da tragédia também gemia no chão: o entregador de gás, trabalhador, ferido no acidente causado pelo criminoso. Mas quem recebeu primeiro o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)? O bandido. Acredite se quiser: o cidadão, a vítima, teve que esperar outra unidade do Samu.
O trabalhador ferido protestou, com razão:
"Isso é revoltante. Como pode o criminoso ter preferência no atendimento de primeiros socorros, enquanto eu fico aqui esperando socorro médico?"
E essa pergunta paira no ar, sem resposta, como um tapa na cara da sociedade. Em que momento o Estado passou a proteger mais o algoz que a vítima? Em que lógica cruel um assaltante com uma vida dedicada ao crime tem prioridade sobre um cidadão honesto, machucado pela violência que o próprio Estado é incapaz de conter?
Enquanto isso, nas ruas, a população continua pagando a conta - no bolso, na carne e na alma. Até quando?
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