
A declaração do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, durante o congresso da Abraji, revelou o que muitos já suspeitavam: a própria estrutura do INSS ajudou a pavimentar o caminho para o maior esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas já registrado no país. Em suas palavras, os sistemas internos de controle foram “silenciados” deliberadamente por servidores estratégicos, abrindo espaço para um verdadeiro consórcio criminoso dentro do órgão.
Queiroz foi direto: entre 2023 e 2024, os mecanismos que deveriam disparar alertas sobre irregularidades foram neutralizados “propositalmente”. Em um reconhecimento grave para qualquer administração pública, o ministro admitiu que isso permitiu a intensificação das fraudes num esquema que vinha desde 2019, mas que explodiu nos primeiros anos do atual governo.
O fato de os “alarmes” terem sido desligados não por falha técnica, mas por decisão deliberada de servidores de alto escalão - como o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Filho, e o ex-diretor de benefícios, Vanderlei Barbosa dos Santos - levanta suspeitas legítimas de conluio entre a cúpula do órgão e organizações criminosas. Não se trata apenas de negligência: trata-se de conivência, ou pior, participação ativa na destruição dos mecanismos de integridade para lesar milhões de idosos e viúvas.
O próprio governo Lula fica em xeque, já que, mesmo após alertas formais já em 2023, nada foi feito para reverter o bloqueio dos sistemas internos até a deflagração da operação policial. Além disso, as explicações de Queiroz - que repete a tese de que tudo começou em governos anteriores - não livram o atual de responsabilidade pela escalada das fraudes.
O impacto financeiro é gigantesco: a Polícia Federal calcula prejuízo potencial de até R$ 3,2 bilhões, com cerca de quatro milhões de vítimas. Um número que pode ser até duas vezes maior. Apressado para conter danos, o governo iniciou um plano de ressarcimento, autorizado pelo STF, com pagamentos já programados para 24 de julho. Ainda assim, a confiança pública no INSS e no governo federal sofreu um duro golpe.
A futura CPMI das Fraudes do INSS, prevista para o segundo semestre, será uma oportunidade não apenas para “virar a chave”, como diz o ministro, mas para esclarecer se os responsáveis por desligar os alarmes agiram sozinhos ou a mando de superiores. O país precisa de respostas claras: foi apenas descaso, ou houve um esquema criminoso mais profundo dentro do Estado brasileiro?
Como o próprio Queiroz resumiu: “O Estado falhou”. O que ainda não está claro é: por que e em benefício de quem.
Detalhe: inexplicavelmente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou a representação da senadora Damares Alves para investigar o ex-ministro Carlos Lupi por prevaricação. Quem está protegendo quem - e o quê? Há quem diga que esta crise de 'sincericídio' do ministro Queiroz pode lhe custar o cargo.
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