
A qualquer acusado é dado o direito de dizer o que quiser em juízo. No caso de um assassino de um agente da lei, a mentira também é permitida. Foi o que fez o assassino confesso do delegado Márcio Mendes Silveira, que, embora tenha admitido o crime, alegou ter sofrido agressões físicas no ato de sua prisão. Mas, como bem diz o ditado popular: “mentira tem perna curta”. Felizmente, desta vez, a palavra do criminoso não foi interpretada como lei.
Submetido a exame de corpo de delito, ficou comprovado que o criminoso não sofreu tortura, nem mesmo agressões físicas severas. E por que, então, ele apresentava machucados nos pés e pequenas escoriações pelo corpo? Simples: trata-se de um foragido que passou cerca de 30 horas escondido na mata fechada, em terrenos cheios de pedras e tocos, numa fuga desesperada para escapar da Justiça.
Mentir não é crime. No entanto, mentir em juízo deveria, no mínimo, ser visto como um delito e resultar em algum tipo de consequência para o mentiroso — principalmente quando a mentira tenta colocar em dúvida a integridade da força policial que arriscou a vida para prendê-lo.
Durante a audiência de custódia realizada no sábado (12), Leandro da Silva Sousa, de 32 anos, suspeito de matar o delegado Márcio Mendes, afirmou ter sido agredido no momento da prisão e durante o trajeto até a Delegacia de Caxias. A declaração foi registrada em vídeo e repercutiu amplamente após ser divulgada.
O exame de corpo de delito narrou as lesões que Leandro mesmo admitiu: machucados nos pés, causados por ter corrido pelo mato, e uma vermelhidão no ombro, provocada pelo carregamento de uma estaca enquanto se escondia. Porém, o laudo foi categórico ao apontar a ausência de vestígios de tortura, desmentindo a acusação contra os policiais.
Leandro foi preso na tarde de sexta-feira (11), após uma operação que durou cerca de 31 horas e mobilizou mais de 80 agentes das polícias civis do Maranhão e do Piauí, além da Polícia Rodoviária Federal. Ele foi localizado em uma área de mata próxima à casa dos pais, no povoado Jenipapeiro, zona rural de Caxias.
O caso expõe não apenas a brutalidade do crime — o assassinato de um delegado no exercício do dever —, mas também a tentativa cínica de desacreditar as instituições responsáveis por garantir a lei e a ordem. A mentira pode não ser crime, mas a verdade sempre vem à tona.
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