Domingo, 28 de Junho de 2026
26°

Tempo nublado

Teresina, PI

Automóvel RESSURREIÇÃO

Carro elétrico: o futuro que já foi passado - e pode não durar

Há mais de um século, eles já eram a promessa de um mundo moderno e limpo. Hoje voltam como “revolução verde”. Mas será mesmo essa a solução definitiva para a mobilidade?

11/07/2025 às 06h04 Atualizada em 11/07/2025 às 11h47
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Os elétrico já foram os queridinhos das mulheres - Foto: Reprodução
Os elétrico já foram os queridinhos das mulheres - Foto: Reprodução

Em uma imagem histórica datada de 1910, uma jovem americana aparece carregando a bateria de seu carro elétrico com um sorriso no rosto. À época, os veículos elétricos eram sinônimo de modernidade, conquistaram o público feminino e chegaram a representar mais de 30% da frota dos Estados Unidos. Havia de tudo: automóveis de passeio, caminhões, triciclos e até ônibus movidos por bateria.

Eram fáceis de dirigir, silenciosos, baratos. E então… desapareceram.

O que pouca gente sabe é que o carro elétrico não é novidade alguma: ele foi popular no início do século XX, sucumbiu à gasolina barata e ao Ford T, e agora ressurge embalado pela pressão ambiental e pelo marketing “verde”.

Mas será mesmo o elétrico o destino inevitável da mobilidade? Ou estamos apenas repetindo um ciclo histórico, sem resolver os problemas fundamentais?

A ascensão e a queda

No início do século passado, os elétricos dominaram boa parte do mercado automobilístico norte-americano. Eram práticos para a cidade, silenciosos e não empestavam o ar com fumaça. Por isso, agradavam sobretudo às mulheres, que viam neles um aliado para se locomover sem esforço.

Mas a popularidade durou pouco. O surgimento da linha de montagem do Ford T barateou drasticamente os carros a combustão. Ao mesmo tempo, o petróleo barato inundou os postos e fez a gasolina reinar como combustível mais prático e acessível. Com autonomia limitada e baterias pesadas, os elétricos foram para o museu.

O retorno, cem anos depois

Hoje, o carro elétrico é vendido como solução para as mudanças climáticas e símbolo máximo da “mobilidade sustentável”. Impulsionados por governos e celebridades como Elon Musk, os elétricos conquistaram um nicho - e já são a maioria das vendas em países como Noruega e Holanda.

A indústria aposta pesado: todas as grandes montadoras têm linhas elétricas, e legislações na Europa já preveem banir veículos a combustão nas próximas décadas. O consumidor, preocupado com o planeta (e com a economia do combustível), começa a aderir.

Mas há um detalhe: nem tudo é tão limpo quanto parece.


O lado B dos elétricos

Os elétricos resolvem o problema do escapamento. Mas não o impacto ambiental completo.
As baterias de íon-lítio exigem mineração de lítio, cobalto e níquel, atividades altamente destrutivas para o solo e para comunidades locais.
Além disso, essas baterias ainda são caras, pesadas, difíceis de reciclar e um pesadelo ambiental no descarte.

O tempo de recarga continua sendo um gargalo para a popularização em larga escala, assim como a falta de infraestrutura de carregamento em países em desenvolvimento. E há um risco novo: a enorme pressão sobre as redes elétricas urbanas, que hoje já operam no limite.

E se não for o futuro?

Há especialistas que afirmam que os elétricos são uma fase de transição, não a solução definitiva.
Tecnologias como o hidrogênio verde despontam como alternativas mais limpas e com recarga quase imediata.
Outros defendem investimentos em transporte público, ciclovias e menos carros nas ruas - sejam elétricos ou não.

O que está claro é que o carro elétrico, sozinho, não salvará o planeta.

Diagnóstico: entre a febre e a necessidade

Os carros elétricos vieram para ficar, ao menos por um tempo. Mas não serão uma solução mágica. São mais uma peça no quebra-cabeça de um futuro energético sustentável - que dependerá de investimentos em várias frentes e, sobretudo, de mudanças culturais na forma como nos deslocamos.

A história mostra: já vimos essa “revolução” antes, há mais de um século, e ela não durou. O risco agora é repetir erros antigos, acreditando que basta trocar motores para resolver um problema que é maior que as máquinas: nosso consumo desenfreado.

O carro elétrico pode até ser o futuro. Mas o planeta merece que a gente pense em algo mais profundo do que trocar um escapamento por uma bateria.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários