
O Piauí perdeu nesta segunda-feira, 7 de julho, uma de suas maiores expressões culturais e humanas. Aos 75 anos, faleceu em Teresina a cantora, jornalista, radialista e atriz Maria do Socorro Barradas Falconery Rios, eternizada pelo público como Lena Rios. Mais do que uma artista talentosa e uma comunicadora brilhante, Lena foi uma mulher simples, generosa e inesquecível para todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.
Natural de Picos, Lena começou sua jornada musical na banda local Os Leões, mas sua força e talento logo a levaram a voos maiores. Cantou em grupos de expressão nacional como Os Metralhas e Os Brasinhas, e trilhou carreira solo, inserindo sua voz no movimento cultural que sacudiu o Brasil nos anos 1960 e 1970, o Movemento Tropicália. Fez da música uma ponte entre suas raízes nordestinas e os palcos do Sul Maravilha, convivendo de perto com nomes consagrados como o amigo inseparável Torquato Neto, com quem compartilhou sonhos, inquietações e até os últimos momentos antes da partida do poeta piauiense.
No jornalismo e no rádio, Lena também brilhou, tornando-se referência na comunicação piauiense. Sua voz firme e sua presença marcante conquistaram o respeito de colegas e ouvintes, em um tempo em que as mulheres ainda lutavam por espaço nesses ambientes. Foi pioneira, inspirou gerações e ajudou a contar a história do Piauí com paixão e competência.
Mas nenhuma conquista artística ou profissional superava a grandeza da pessoa humana que Lena Rios era. Dona de um sorriso verdadeiro, de um jeito simples e acolhedor de tratar todos à sua volta, Lena cultivava amizades com a mesma dedicação com que cultivava sua arte. Não havia estrelismo nem vaidade exagerada - apenas gratidão pela vida e vontade de espalhar alegria.
Fui entrevistado por ela - em seu programa de rádio -, e também a entrevistei. Aliás, além de tê-la em inúmeras reportagens culturais, ela também me concedeu um depoimento para o nosso documentário sobre o Motorista Gregório, a quem considerava um santo.
Ao longo da carreira, Lena ainda encontrou tempo para homenagear outros talentos do Piauí, gravando músicas em tributo a artistas conterrâneos, como forma de retribuir ao solo que a formou.
Em seu último adeus, o Piauí não perde apenas uma artista. Perde uma força da natureza, uma mulher de coragem e sensibilidade que sempre acreditou que nenhum sonho era grande demais.
Seu filho, o empresário Marcelo Barradas, resumiu a dor da perda e o tamanho do legado:
“Hoje o céu ganhou uma estrela, e eu perdi um pedaço do meu coração. Ela não foi apenas minha mãe. Foi uma força da natureza, uma mulher que fez história na comunicação piauiense com sua voz firme, sua presença marcante e sua paixão por tudo o que fazia”.
De fato, Lena Rios era uma eterna apaixonada. Apaixonada pela música, pela profissão, pelo rádio, pela família, pelos amigos, pela vida.
Hoje o Piauí se despede de Lena Rios com tristeza, mas também com gratidão. Por sua música, por sua voz, por sua simplicidade e por sua humanidade. Que seu sorriso, suas histórias e seu exemplo continuem vivos em cada amigo, em cada fã, em cada pessoa que teve a alegria de cruzar seu caminho.
Descanse em paz, Lena Rios. Você vive!






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