
Não foi um assalto. Não foi um desconhecido. O assassino estava dentro da família. A vítima, Maria Victória, 15 anos, estava grávida de cinco meses. O acusado, R.S.G., era seu padrasto. O motivo do crime? Um misto de ciúmes, rejeição e frustração masculina, segundo revelou o delegado João Ênio, responsável pela Delegacia de Itaueira (PI).
É difícil encontrar palavras que expliquem — ou mesmo suportem — tamanha brutalidade. Trata-se de um crime frio, cruel, de motivação torpe e covarde. Um assassinato que evidencia até onde pode chegar o desequilíbrio emocional travestido de afeto.
O relacionamento do casal, segundo a polícia, já estava abalado. Eles tentavam ter um filho. No entanto, ao descobrir que a filha estava grávida, a companheira de R.S.G. voltou a tomar anticoncepcionais — e isso foi o estopim para o crime. O homem passou a enxergar a gestação de Maria Victória como uma ameaça direta à sua relação, uma espécie de obstáculo à continuidade do vínculo com a mãe da jovem.
A investigação aponta que o padrasto não aceitava o namoro de Victória com o pai do bebê, e sua interferência constante gerou distanciamento familiar. Em vez de recuar, ele agiu com violência. Ceifou duas vidas: a da adolescente e a do bebê que ela carregava.
R.S.G. foi preso após uma pegada ensanguentada encontrada ao lado do corpo da vítima ser compatível com seu pé. Ele alegou estar em um local sem sinal de celular no momento do crime, mas seu aparelho foi conectado ao modem de internet da residência da vítima, contradizendo seu álibi.
De acordo com a polícia, ele aproveitou o momento em que a companheira saiu para a catequese, saiu da casa dos pais e se dirigiu até a residência da jovem para cometer o crime. Depois, retornou à zona rural como se nada tivesse acontecido.
Indiciado por feminicídio qualificado e por provocar aborto, R.S.G. se encontra preso preventivamente na Penitenciária de Vereda Grande. Mesmo negando os crimes, todas as evidências o apontam como autor do assassinato.
Casos como o de Maria Victória escancaram uma realidade brutal: a violência contra meninas e mulheres ocorre, em grande parte, dentro do lar, praticada por quem deveria proteger, não matar.
Não se trata apenas de um crime passional. É uma manifestação de poder, de controle, de machismo extremo. Uma menina, grávida, foi executada porque um homem se sentiu rejeitado.
O que esse crime exige não é apenas justiça no tribunal, mas reação social. O silêncio, nesse caso, também mata. Maria Victória e seu bebê foram vítimas da ausência de limites, da normalização do abuso e da omissão diante do perigo.
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