
Duas vidas acabaram em segundos. Uma manobra irregular, uma curva proibida e o resultado foi um choque brutal entre o descaso e a realidade. A tragédia aconteceu nesta quinta-feira (26), em plena zona urbana de Altos, na BR-343, rodovia de tráfego intenso e cotidiano violento. Uma motocicleta — que segundo a PRF realizava uma conversão à esquerda onde não podia — foi colhida de frente por um carro Toyota Yaris que vinha no sentido oposto. Os dois ocupantes da moto, um homem de 50 anos e uma mulher de 44, morreram na hora. Nem tempo de socorro tiveram.
A motorista do carro, uma jovem de 29 anos, ficou gravemente ferida. Está internada em Teresina, com o corpo machucado. Não havia álcool no sangue, mas havia na estrada um cenário típico do descaso brasileiro: imprudência, desrespeito à sinalização, fiscalização insuficiente e mais uma tragédia anunciada envolvendo motocicleta.
A pergunta é simples: até quando? Até quando o trânsito vai seguir sendo campo de guerra, com mortos anônimos contabilizados como estatística? A PRF reforça, mais uma vez, que conversões indevidas matam. Mas quem realmente escuta?
A imprudência não escolhe idade, cor, nem classe social. Está espalhada pelas BRs do Brasil, onde muitos dirigem como se as leis fossem sugestões e a vida dos outros, um detalhe irrelevante. Infelizmente, Altos entrou para o mapa das tragédias evitáveis. A responsabilidade não pode ser enterrada junto às vítimas. O trânsito brasileiro exige mais do que luto: exige atitude, respeito e coragem para mudar.
Detalhe: A cidade de Altos é uma das dezenas de cidade piauienses cortadas por rodovias federais e que já devia contar com anel viário. Uma via passando por fora da cidade desviando o tráfego pessado, mas também o de veículos leves que viajam pela BR 343.
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