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Frota em cinzas: incêndio consome 12 ônibus escolares em Teresina e levanta perguntas que ninguém responde

Sem alarde, uma tragédia silenciosa apaga veículos públicos e queima mais do que lataria: escancara descaso, suspeitas e a velha dúvida - acidente ou negligência?

25/06/2025 às 08h20
Por: Douglas Ferreira
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Bombeiros foram acionados na madrugada mas apesar dos esforços não conseguiu evitar que 12 ônibus virassem cinzas e sucatas - Foto: Reprodução
Bombeiros foram acionados na madrugada mas apesar dos esforços não conseguiu evitar que 12 ônibus virassem cinzas e sucatas - Foto: Reprodução

Na madrugada de quarta-feira (25), um incêndio varreu 12 ônibus escolares no bairro Esplanada, zona Sul de Teresina. O fogo, voraz, consumiu tudo o que encontrou pela frente: veículos, livros, cadernos, e junto deles, milhões em patrimônio público. Mas talvez o que mais tenha ardido entre as chamas foi a confiança da população.

Os ônibus - utilizados para transportar alunos da rede pública, especialmente da zona rural - estavam estacionados no pátio de uma serralheria que também funcionava como garagem da empresa contratada pela Prefeitura. Por volta das 4h30 da manhã, o Corpo de Bombeiros foi acionado. Em pouco tempo, 25 militares e três caminhões-pipa estavam no local. Foi o suficiente para conter o fogo, mas não para apagar as dúvidas que começaram a se espalhar como brasas ao vento.


Como o incêndio começou?

A pergunta ainda não tem resposta definitiva. A hipótese inicial, segundo o coronel Juarez, que comandou a operação, é a de uma pane elétrica em um dos veículos. Mas nem ele parece completamente convencido. Afinal, ônibus não pegam fogo sozinhos com essa frequência — e quase nunca todos de uma vez.

O local tem câmeras de segurança. Há registros? Foram entregues? O conteúdo existe ou também virou fumaça? Ninguém responde.

A quem pertenciam os ônibus? E estavam assegurados?

A frota era de uma empresa terceirizada que presta serviço à Prefeitura de Teresina. Isso significa que o dinheiro é público. A manutenção, o zelo, a segurança e, claro, o seguro dos veículos deveriam ser responsabilidade de todos os envolvidos na cadeia de contrato. No entanto, até agora, nenhuma palavra da empresa. Nenhuma nota da Prefeitura. Nenhuma certeza sobre cobertura securitária.

Se os ônibus estavam segurados, por que o silêncio?
Se não estavam segurados, a negligência é gritante. E, nesse caso, quem paga o prejuízo?

Houve feridos?

Não, felizmente. Os veículos estavam desativados no momento do incêndio. Mas o fato de não haver vítimas não reduz o impacto - afinal, o maior atingido é o serviço público essencial: a educação. Crianças da zona rural agora estão sem transporte escolar, e isso não é um detalhe técnico, é um colapso anunciado.

Incidente ou incêndio criminoso?

A dúvida mais incômoda de todas. Acidente? Sabotagem? Retaliação política? Disputa por contratos? Nada está descartado, mas tudo permanece no campo nebuloso da especulação, já que as autoridades ainda não apresentaram qualquer laudo técnico.

O histórico brasileiro de incêndios “acidentais” em galpões, arquivos e veículos públicos não inspira confiança. O que parecia uma tragédia isolada pode, lá na frente, se revelar parte de algo maior.

E o silêncio que fala mais alto

O que mais intriga é o silêncio. Silêncio da empresa. Silêncio da Prefeitura. Silêncio da Secretaria de Educação. Nenhuma coletiva, nenhuma explicação robusta. Apenas a nota formal dos Bombeiros e o esforço técnico de conter as chamas.

O  fogo apagou os ônibus, mas acendeu o alerta

O incêndio que destruiu 12 ônibus escolares em Teresina não pode cair no esquecimento, como se fosse apenas uma “fatalidade”. Enquanto o transporte escolar vira fumaça, o silêncio vira cumplicidade. 

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