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Irmã de Valdemiro Santiago no centro de escândalo bilionário do INSS: “coincidência” ou elo estratégico?

INSS, o cofre escancarado: enquanto aposentados perdem o sono, lobos em pele de ovelha faturam bilhões. Fraude bilionária no INSS envolve dirigentes ligados a igrejas, empresários do ramo de seguros e apoio legislativo velado. Aposentados e pensionistas foram vítimas do maior saque institucionalizado da história da República.

24/06/2025 às 13h40
Por: Douglas Ferreira
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O apóstolo Valdomiro Santiago não está sendo investigado, mas a irmã dele está no centro do furacão de devastou o salário de aposentados e viúvas do INSS - Foto: Reprodução
O apóstolo Valdomiro Santiago não está sendo investigado, mas a irmã dele está no centro do furacão de devastou o salário de aposentados e viúvas do INSS - Foto: Reprodução

O Instituto Nacional do Seguro Social virou, sem exagero, a casa de mãe Joana. Enquanto os aposentados mal conseguem pagar os remédios ou garantir uma cesta básica no fim do mês, sindicatos, associações e espertalhões disfarçados de "protetores dos idosos" transformaram os contracheques dos segurados num balcão de negócios milionário. E o mais grave: com o aval oficial.

Não é teoria da conspiração. A Polícia Federal confirmou: houve rapinagem institucionalizada nos benefícios previdenciários. E nesse baile da vergonha, dançaram de tudo: laranjas, lobistas, dirigentes religiosos e até familiares de figuras conhecidas no cenário nacional.

A irmã do apóstolo Valdemiro Santiago, Sonia Maria de Oliveira, 64 anos, é um dos rostos por trás do Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) - associação que faturou inacreditáveis R$ 202 milhões em menos de dois anos, com autorizações oficiais do governo Lula da Silva, para descontar diretamente da folha do INSS. O que parecia uma entidade de apoio virou uma máquina de sugar o pouco que sobra dos aposentados.

O esquema é mais sofisticado do que parece. Trata-se de um cartel de associações travestidas de entidades filantrópicas que, por meio de acordos de cooperação técnica com o INSS, passaram a abocanhar até 2,5% dos benefícios mensais de milhões de segurados. A desculpa? "Assistência jurídica", "defesa dos direitos dos aposentados", "orientação social". A prática? Descontos automáticos, filiações compulsórias e um enriquecimento explosivo de seus dirigentes - inclusive os que têm relações diretas com líderes religiosos e empresários investigados.

Segundo a PF, o dono de todo esse castelo de cartas seria o empresário Maurício Camisotti, suspeito de operar com laranjas e de movimentar R$ 43 milhões em repasses das associações, num esquema que ainda tem ligações com o famigerado “Careca do INSS”, acusado de distribuir propinas no órgão. Coincidência? Só se for para os advogados das entidades, que classificam os vínculos familiares como "fato irrelevante".

O que choca é que esse esquema nasceu com respaldo político, sob o pretexto de “proteger os velhinhos”. A aprovação dos acordos passou pela Câmara com apoio massivo da base governista. A bancada petista e os puxadinhos do governo votaram em peso. Agora se sabe por quê: estavam abrindo a porteira para os lobos se banquetearem com a aposentadoria dos inocentes.

E o resultado está aí: mais de R$ 6,3 bilhões sugados das aposentadorias. Viúvas, trabalhadores do campo, idosos humildes foram transformados em linha de faturamento. Nem a irmã de Valdemiro escapou da planilha.

A farra só veio à tona porque o jornalismo investigativo - e não o governo Lula da Silva -, fez o que tinha que ser feito. A série de 38 reportagens do Metrópoles não só expôs o escândalo como forçou a demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Um estrago institucional sem precedentes. Mas a pergunta que ecoa é: quem mais sabia? Quem mais lucrou? E quem mais se calou?

Porque uma coisa é certa: ninguém move bilhões sem proteção lá de cima.

O Brasil acaba de testemunhar o maior saque silencioso da história contra seus aposentados - com aval técnico, respaldo político e bênção religiosa. Um retrato perfeito de como se governa não para os pobres, mas sobre eles.

Afinal, como bem ensinou o velho ditado: “em terra de cego, quem tem contracheque é rei”.

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