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A 'taradice' pelo dinheiro dos pobres

Sindicato ligado ao irmão de Lula tentou descontar até do Bolsa Família; ofensiva revela perversão política contra os mais vulneráveis

23/06/2025 às 06h39 Atualizada em 23/06/2025 às 11h02
Por: Douglas Ferreira
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José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi - Foto: Reprodução
José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi - Foto: Reprodução

Não é empreendedorismo. Não é sindicalismo. Tampouco associativismo. É pura e simples tara por dinheiro. Dinheiro fácil. Dinheiro sujo. Dinheiro do povo pobre. A mesma tara que já drenou o que podia dos aposentados, das viúvas e dos inválidos do INSS. Mas não satisfeitos, os tarados queriam mais. Muito mais. Queriam invadir até os centavos do Bolsa Família.

Queriam meter a mão no mínimo do mínimo, quase uma esmola oficial, paga a 53,8 milhões de brasileiros em todos os cantos do país. Entre esses, 31 milhões são mulheres e meninas - justamente as mais vulneráveis. São tarados sociais, pervertidos fantasiados de sindicalistas, que acham natural descontar automaticamente dos miseráveis o preço do seu próprio poder.

A tentativa não vingou - por enquanto. Mas não por falta de esforço. Um ofício assinado pelo presidente do Sindnapi, entidade que tem como vice-presidente ninguém menos que Frei Chico, irmão de Lula, foi enviado ao então ministro da Previdência, Carlos Lupi, no início de 2023. No papel, um pedido claro: autorizar descontos automáticos em benefícios sociais como o Bolsa Família e o BPC.

Descontos. Em cima do nada. Em cima da fome. Em cima da miséria.

E por que isso? Para garantir financiamento sindical compulsório - não com a vontade do trabalhador, mas na marra, na surdina, nos bastidores do governo. Tudo feito entre “companheiros”. Essa é a verdadeira “solidariedade” de parte do movimento sindical hoje: solidariedade entre cúpulas, não com a base.

É disso que se trata. De uma engrenagem que opera em silêncio, que penetra onde houver brecha, que se vale de sobrenomes e laços de poder para sugar até a esperança do pobre.

Se fosse o irmão de um político de direita, a histeria estaria armada. A mídia, os artistas, os intelectuais, todos em coro. Mas agora? Silêncio.

É o velho “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Só que agora, a pouca farinha é a dos miseráveis. E o pirão sustenta palácios sindicais.

Quantos estão presos? Nenhum. Quantos foram punidos? Ninguém. Quantos foram sequer investigados? Silêncio.

O Brasil não está sendo destruído só por corruptos. Mas por gananciosos insaciáveis que tratam os pobres como rebanho a ser tosquiado — de preferência, com autorização automática.

O sindicato tentou justificar a investida dizendo que “é comum que lideranças se aproximem de novos governos para negociar suas pautas”.

E que pauta. São mesmo uns "filhos da pauta".

São piores que o “Jogo do Tigrinho”. Porque o Tigrinho promete ilusão. Esses, tomam a única certeza que o pobre tem no mês: a de que receberá uns poucos reais para sobreviver. E mesmo isso querem tirar.

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