
Teresina amanheceu nesta segunda-feira (16) com mais um retrato cruel da criminalidade e da violência urbana que insiste em fazer morada na capital piauiense. Um motorista por aplicativo foi rendido por cinco criminosos, incluindo mulheres e adolescentes, no bairro Judite Nunes, zona Sul da cidade - exatamente a mesma região em que a PM e o governo estadual garantem ter avançado no controle da criminalidade.
Rendido, roubado e abandonado, o trabalhador só não perdeu mais porque a tecnologia o salvou. O rastreamento do celular levou a Polícia Militar até o Residencial Torquato Neto, onde dois menores foram apreendidos. No local, uma espécie de “kit do crime urbano” aguardava os policiais: arma de fogo, drogas, celulares roubados, dinheiro vivo e até uma chave de motocicleta roubada. Não se tratava de um caso isolado. Era mais um sinal de alerta gritante.
Um dos adolescentes confessou ter roubado uma motocicleta, escondida em um matagal no CEU (Centro Esportivo Unificado). A moto não foi localizada. A audácia, no entanto, foi escancarada. Menores com revólver calibre .38 e maconha já embalada para venda. Mulheres participando ativamente da execução do crime. E o que era para ser apenas mais uma “ocorrência” mostra, na verdade, que a criminalidade em Teresina está em metamorfose.
Enquanto o governo do Estado e a cúpula da segurança pública ostentam dados de redução nos índices de homicídios em 2024, 2025 começa a mostrar uma faceta tão ou mais aterradora: o avanço da criminalidade do cotidiano, do roubo em plena luz do dia, da profissionalização precoce de adolescentes no submundo do crime.
A zona Sul, velha conhecida dos noticiários policiais, agora abriga gangues mistas com jovens armados, mulheres em ação e estrutura digna de facções organizadas. Há drogas, armas, estratégia e certeza da impunidade. Uma nova geração do crime está sendo gestada ali, e o Estado parece assistir passivamente - ainda encantado com seus gráficos de “progresso”.
Há um dado que ninguém ousa divulgar: o número de assaltos violentos, os traumas silenciosos das vítimas, os trabalhadores reféns de uma cidade sitiada pela ousadia das quadrilhas. A "redução de homicídios" esconde o crescimento de uma criminalidade pulverizada, rápida, impiedosa - e que agora se infiltra no cotidiano com atores cada vez mais jovens.
A quem interessa essa guerra silenciosa nas franjas da capital? Até quando adolescentes vão comandar ações com revólveres em punho e carteiras de identidade que ainda nem secaram? E o mais perturbador: até onde vai a omissão institucional diante de uma juventude sequestrada pela ilusão do crime como rota de ascensão?
Teresina não precisa apenas de estatísticas reconfortantes. Precisa de políticas reais, capazes de recuperar a dignidade dos bairros, de ocupar os espaços antes que o crime o faça - como já vem fazendo. A “paz” oficial pode ter números, mas nas ruas, o medo não dá trégua.
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