
No coração do governo federal, foi articulado o maior saque da história contra os aposentados do Brasil - e o Piauí, infelizmente, figura como protagonista desse escândalo. Investigações revelam que nosso Estado está entre os que mais lesaram aposentados em todo o Nordeste, abrigando, inclusive, o município com o maior número de vítimas. Os golpes não foram pontuais - foram estruturados, repetidos e silenciosamente ignorados. Enquanto Brasília fazia vista grossa, o que se viu foi o esvaziamento criminoso das contas de milhares de velhinhos e viúvas. Um roubo institucionalizado, travestido de burocracia.
Mas como se não bastasse o assalto ao bolso, o Piauí também amarga outro dado cruel: é um dos Estados onde mais se agridem fisicamente os idosos. Em 2025, de janeiro a maio, foram registrados 6.345 boletins de ocorrência envolvendo violência contra pessoas com 60 anos ou mais — quase o total de registros de todo o ano anterior. E a realidade pode ser ainda mais assustadora, já que muitas vítimas não denunciam por medo, vergonha ou dependência emocional.
A violência, muitas vezes, começa onde deveria haver proteção: dentro de casa. Negligência, abandono, humilhações, agressões verbais, espancamentos e até abusos sexuais. Isso sem falar nas fraudes cada vez mais sofisticadas. Um dos golpes mais comuns em 2025 é o da “selfie da morte financeira”: criminosos se passam por servidores públicos, coletam a imagem do idoso sob o pretexto de uma prova de vida e, com isso, abrem contas e fazem empréstimos. O idoso só descobre quando já foi saqueado.
Segundo a delegada Cassandra de Moraes Souza, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso em Teresina, a negligência continua sendo a principal forma de violência, mas os golpes eletrônicos e a violência patrimonial têm crescido assustadoramente. A sensação é de que o idoso, no Brasil - e, sobretudo, no Piauí -, está sendo caçado: pelo sistema, pelo crime, pela indiferença.
O Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado neste 15 de junho, deveria ser um grito de alerta. Mas por aqui, virou quase um memorial silencioso às vítimas esquecidas. A pergunta que ecoa é direta: onde está o Estado? Por que o governo não cria políticas públicas robustas, permanentes e eficazes para proteger quem tanto já contribuiu?
O silêncio é cúmplice. A omissão é violenta. E a indiferença mata em prestações. O Piauí, que já viu seus idosos serem roubados por dentro do sistema, agora assiste ao crescimento das agressões físicas. Resta saber se vamos continuar olhando para o lado, enquanto os alicerces da dignidade envelhecem, desprotegidos e em ruínas.
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