
A criminalidade em Teresina já não conhece limite de horário, local ou classe social. Os assaltos ocorrem à luz do dia, em plena área nobre, dentro de clínicas, supermercados, até mesmo a poucos metros de unidades da Polícia Militar. A cidade inteira virou território livre para bandidos. E não se trata de sensação de insegurança - é o caos escancarado da ausência do Estado.
Nesta quinta-feira (12), por exemplo, um médico foi abordado por um assaltante armado na Avenida Raul Lopes, uma das mais movimentadas e vigiadas da capital piauiense. O criminoso roubou o colar e o carro da vítima, mas acabou surpreendido por um policial militar à paisana, que reagiu, atirou e impediu a fuga do assaltante. O suspeito foi socorrido pelo SAMU e levado ao HUT, onde ficará à disposição da Justiça após atendimento.
O caso não é isolado - é sintomático. A criminalidade avança sem freios, enquanto o discurso oficial insiste numa fantasia de segurança que só existe na propaganda do Palácio de Karnak. A atuação das forças de segurança parece não intimidar mais os criminosos, que humilham, agridem, roubam e ainda zombam da impunidade. O medo hoje é democrático: atinge moradores da periferia e moradores das áreas mais nobres com a mesma intensidade.
A pergunta que não quer calar: o que está sendo feito com os milhões investidos em segurança pública? Onde estão os resultados prometidos pelo governador Rafael Fonteles e seu secretário Chico Lucas? Por que o cidadão comum, pagador de impostos, continua desprotegido? Até quando a população vai conviver com a certeza de que a qualquer hora pode perder a vida, a liberdade ou, no mínimo, seus bens?
Não basta o governador aparecer em coletiva anunciando números que não se refletem nas ruas. O povo quer resultado. Quer a polícia presente. Quer ações contundentes. Quer o fim da impunidade. O que vimos hoje, na Raul Lopes, foi a exceção que confirma a regra: o bandido levou a pior. Mas na maioria das vezes, é o cidadão que perde - perde o celular, perde a dignidade, perde a vida.



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