
O corpo encontrado em avançado estado de decomposição no dia 4 de junho, no Povoado Torrões, zona Sul de Teresina, foi oficialmente identificado como sendo do adolescente Carlos Alexandre Pereira de Sousa, de apenas 14 anos. Ele havia sido sequestrado por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) no dia 26 de maio, quando estava na companhia da namorada, na Vila da Guia, zona Sudeste da capital.
Segundo o laudo necroscópico e necropapiloscópico, divulgados pelo Instituto de Medicina Legal (IML) e pelo Instituto de Biometria Forense, o jovem foi executado com um tiro na cabeça. O cadáver foi localizado em área de matagal, parcialmente devorado por animais, o que dificultou a identificação inicial.
A resposta é dura: disputa de território entre facções. De acordo com o delegado Francisco Costa, o Barêtta, diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Carlos Alexandre não era faccionado, nem integrava o tráfico — mas foi vítima do cenário de guerra urbana que se impõe entre o PCC e o Bonde dos 40 na região de Teresina.
“Esse menino transitava em áreas de influência das duas facções, de forma inocente. Ele foi capturado praticamente ao acaso, por uma lógica brutal imposta pelo crime organizado”, explicou Barêtta.
A execução foi um recado, um gesto de domínio territorial e imposição de medo. Em regiões onde o Estado é ausente, andar em uma rua “errada” pode ser interpretado como desafio. E foi isso que custou a vida do adolescente.
Barêtta revelou que uma pessoa já está presa por envolvimento direto no crime, e que a polícia já identificou os autores materiais e intelectuais da execução, além do veículo utilizado no sequestro. Ele garante que o DHPP trabalha em silêncio, mas com profundidade.
“Já temos peças importantes. Vamos elucidar esse crime o quanto antes, pois a barbárie não pode ser banalizada”, afirmou o delegado.
Carlos Alexandre era mais um jovem da periferia que pagou com a vida por viver num território onde o controle é disputado por grupos armados. Sua morte, aos 14 anos, escancara o nível de brutalidade e desumanização promovido pelas facções — e também a falência da proteção pública para juventudes periféricas.
Enquanto o tráfico dita regras, cria “fronteiras invisíveis” e assassina sob pretextos arbitrários, o Estado ainda reage de forma fragmentada. A execução de Carlos Alexandre não é um caso isolado: é um sintoma de uma guerra que acontece diariamente, silenciosamente, nos becos e vielas das capitais brasileiras.
Agora, com o corpo identificado, a luta passa a ser por justiça. Mas nenhuma prisão ou julgamento devolverá a vida de um garoto de 14 anos, sequestrado e executado por andar na rua errada — em um país onde ser jovem, pobre e da periferia pode ser uma sentença de morte.
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