Segunda, 29 de Junho de 2026
23°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Polícia FACÇÃO CRIMINOSA

Homem apontado como líder de facção criminosa é preso durante megaoperação no Piauí

“Geral do Estado” do crime organizado e sua aliada são alvos centrais da ofensiva contra facções; investigações revelam alto nível de comando e envolvimento em homicídios brutais

12/06/2025 às 08h03
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
DRACO prende 'Caça Rato' e outros faccionados - Foto: Reprodução
DRACO prende 'Caça Rato' e outros faccionados - Foto: Reprodução

Uma operação de grande porte coordenada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) do Piauí, com apoio da Polícia Militar e diversas unidades da Segurança Pública, resultou na prisão de dois dos mais influentes nomes da criminalidade no estado. Entre os alvos, está um dos principais líderes de facção com atuação no tráfico de drogas e homicídios — e uma mulher com posição estratégica na hierarquia criminosa.

Quem é o líder preso?

O homem preso é E. M., apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção criminosa que opera no Piauí. Segundo o DRACO, ele ocupava a função de "geral do estado", ou seja, o elo máximo da organização em território piauiense. Na prática, isso significa que ele era responsável por coordenar comandos regionais, ordenar execuções, gerenciar o tráfico e estabelecer alianças ou retaliações dentro da estrutura criminosa.

Além de comandar ações a partir da Zona Norte de Teresina, E. M. exercia influência direta sobre as atividades criminosas em municípios como Campo Maior e Altos. Sua prisão representa um duro golpe na cadeia de comando da organização.

Quem é “Caça-Rato”?

Outro preso de destaque na operação é F. C., conhecido como “Caça-Rato”, apontado como líder da facção em Campo Maior. Considerado de alta periculosidade, ele é acusado de homicídio qualificado e tráfico de drogas. A polícia acredita que ele atuava como braço operacional da facção na região e era responsável por cumprir ordens do "geral do estado", inclusive execuções e cobranças do tráfico.

E a mulher presa?

A mulher identificada é L. da S. A., conhecida no submundo do crime como a "geral do estado – feminina". Ela é acusada de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa. Fontes da inteligência policial apontam que ela atuava como uma espécie de segunda linha de comando, sendo a responsável por coordenar ações envolvendo integrantes femininas da facção e facilitar comunicações entre os presos e a rua.

Longe de ser apenas cúmplice, L. da S. A. tinha papel de comando e articulação, inclusive autorizando operações criminosas em diferentes regiões. Ela é considerada faccionada de alto escalão, e sua prisão desarticula parte da engrenagem feminina dentro da organização.

O que está por trás da operação?

A Operação do Pacto pela Ordem foi deflagrada com o objetivo de cumprir 15 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão, atingindo alvos estratégicos para o enfraquecimento da facção. O foco foi eliminar o comando das lideranças e ampliar o controle do Estado sobre os territórios dominados pelo crime, especialmente durante os festejos de Santo Antônio, quando facções tentam se reorganizar e lavar dinheiro.

A operação contou com o apoio de diversas unidades, incluindo o BOPE, DHPP, BEPI, DENARC, GPM, FEISP, Polícia Civil de Altos, Nazária e Campo Maior, além da Guarda Municipal e o BOPAER. Os setores de inteligência da SSP-PI e da Polícia Civil também participaram ativamente.

Impacto da operação

A prisão de E. M., L. da S. A. e F. C. representa um duro golpe contra o crime organizado no Piauí, especialmente no que diz respeito ao tráfico de drogas, execuções por disputa de território e recrutamento de novos membros.

Mais do que uma simples ofensiva, a operação lança um recado direto: a cúpula das facções está na mira do Estado, e o cerco se fecha cada vez mais. As investigações seguem em andamento, com expectativa de novas prisões e quebra de sigilos para aprofundar o mapeamento do comando do tráfico no estado.

Se confirmadas todas as acusações, os envolvidos devem responder por formação de organização criminosa, homicídios, ocultação de cadáver, tráfico de drogas e associação para o tráfico, com penas que podem ultrapassar 40 anos de prisão.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários