
A adolescente desapareceu na sexta-feira (6) após sair da Escola Municipal Deputado Antônio Gayoso, no São Joaquim (zona Norte). Sem aulas de reforço, ela saiu a pé - e foi vista pela última vez. Ciente do desaparecimento, a Delegacia de Desaparecidos e o DHPP iniciaram buscas. Após quatro dias de angústia, policiais localizaram M.V. em um casa simples nas imediações do Conjunto Saci, acompanhada por um homem, que foi preso em flagrante. Os dois foram flagrados na cama.
M.V., 15 anos, com TEA, acompanhada por equipe multidisciplinar na escola e pela família. A mãe, preocupada, chegou a viralizar vídeos nas redes implorando o retorno da filha.
O suspeito, homem de 35 anos detido no local, ainda não teve sua identidade divulgada. Ele está sob custódia para audiência de prisão em flagrante por cárcere privado, estupro de vulnerável e violência psicológica. A DPCA assume as investigações.
Segundo a advogada da família, Rosemary Farias, M.V. foi submetida a “todos os tipos de violência de gênero”, em um ambiente onde acordava já aprisionada. Ao ser resgatada, apresentava marcas físicas e violência emocional severa. Desde então, a adolescente está em estado pós-traumático, incapaz de verbalizar o que ocorreu enquanto esteve sob poder do sequestrador .
Após o resgate, M.V. foi levada ao Serviço de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Sexual (SAMVVIS) e ao Instituto de Medicina Legal (IML) para exames preliminares. Posteriormente, foi transferida para um hospital, onde médicos garantem sua segurança física. Agora, recebe acolhimento familiar e acompanhamento psicológico devido ao impacto emocional e comportamental graves provocados pelo trauma.
O suspeito foi preso em flagrante e seguirá para audiência de custódia.
A variável criminal inclui cárcere privado, estupro de vulnerável e violência psicológica.
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) conduzirá a investigação.
O caso avança também para os trâmites do sistema de justiça juvenil, que avaliará a guarda, acompanhamento da vítima e responsabilização legal.
Durante o depoimento, o suspeito afirmou que não conhecia a adolescente e alegou que foi ela quem o abordou.
Segundo o delegado, o homem disse ter encontrado a jovem caminhando pela avenida, quando ela teria pedido abrigo em sua residência — apesar de declarar que nunca a tinha visto antes. Por outro lado, a adolescente também afirmou que não conhece o homem e sequer sabe como chegou à casa onde foi mantida.
“Nós o questionamos sobre o fato de o desaparecimento da menina ter ganhado ampla repercussão, e ainda assim ele não ter procurado as autoridades para informar que estava com ela”, destacou o delegado.
A família da adolescente faz um apelo à sociedade: que evitem revitimizar M.V., com comentários cruéis em redes sociais. Em sua essência, esse sequestro expõe falhas graves: a rotina de uma adolescente vulnerável, a segurança escolar sem garantias concretas e a urgência de políticas eficazes de proteção e acolhimento.
O resgate de M.V. encerra um pesadelo, mas revela falhas profundas na proteção de adolescentes em situação de vulnerabilidade. A Justiça está em curso. A sociedade precisa vigiar e exigir: é hora de transformar revolta em ação. A pergunta agora é: quando vamos garantir segurança real para as crianças e jovens como M.V.?
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