
O Deserto do Saara, que já abrigou rios, lagos e uma diversidade de vida aquática em eras passadas, está prestes a passar por uma transformação monumental. Embora os cientistas acreditem que o fenômeno natural conhecido como "greening" transforme o deserto em terras verdes a cada 21 mil anos, o Egito decidiu não esperar por esse ciclo milenar. Em vez disso, o país deu início a um projeto faraônico que promete mudar radicalmente a paisagem árida do Saara, antecipando sua fertilidade.
O Egito está em plena implementação do chamado Novo Projeto do Delta, uma iniciativa ambiciosa que visa construir o maior rio artificial do mundo, com o objetivo de tornar vastas extensões do Saara férteis e transformá-las em uma nova fronteira agrícola. Este mega projeto não só pretende fornecer a tão necessária água para as populações do deserto, mas também transformar uma região seca e árida em um celeiro de produção agrícola, com plantações de hortaliças, verduras e frutas. Além da piscicultura.
O presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, destacou a importância estratégica do projeto durante uma reunião com o primeiro-ministro Mostafa Madbouly, o ministro da Agricultura Alsayid Al-Qaseer, e o ministro de Recursos Hídricos Hani Sweilem. Comandantes das Forças Armadas também participaram, sublinhando o peso nacional do empreendimento. Sisi enfatizou a necessidade de uma coordenação precisa entre as diversas partes envolvidas para garantir a conclusão bem-sucedida do projeto, empregando tecnologias modernas de irrigação para maximizar a eficiência no uso da água.
O Novo Projeto do Delta inclui cerca de 22 quilômetros de canos subterrâneos, destinados ao transporte, drenagem e tratamento de água na estação de saneamento de Al-Hamam. Com o objetivo de irrigar quase 9.200 km² de terra no Deserto Ocidental, o rio artificial terá uma extensão de 92 km, com 35% das obras subterrâneas já concluídas e 65% do trabalho na área aberta em estágio avançado.
Este projeto é um desafio colossal, mas o Egito já deu os primeiros passos concretos. A ambição de transformar o Saara em terras verdes e produtivas não é apenas uma resposta à carência de água, mas uma aposta no futuro, que poderá redefinir o papel do deserto mais famoso do mundo na agricultura global. O sucesso desta empreitada poderá servir de modelo para outros países enfrentarem os desafios da desertificação e da escassez de recursos hídricos.





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