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Polícia NAS ONDAS DO CELULAR

Celular entrega padrasto de Maria Victória na cena do crime e desmonta versão de inocência

Ramon Silva Gomes foi preso nesta sexta-feira (30), após investigações confirmarem, por dados geolocalizados, sua presença no local do assassinato da adolescente grávida de 15 anos

31/05/2025 às 09h59
Por: Douglas Ferreira
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Maria Vitória foi assassinada brutal e covardemente, sem chance de defesa - Foto: Reprodução
Maria Vitória foi assassinada brutal e covardemente, sem chance de defesa - Foto: Reprodução

A prisão do padrasto de Maria Victória Rodrigues dos Santos, adolescente de 15 anos brutalmente assassinada em Itaueira (PI), no dia 24 de março, marca um avanço crucial nas investigações. O principal elemento que levou à prisão de Ramon Silva Gomes foi a localização precisa de seu celular no momento do crime - dados que desmentem sua versão inicial e o colocam diretamente na cena do homicídio.

De acordo com o delegado João Énio, responsável pelo caso, a conclusão foi possível após análises de informações obtidas junto a operadoras de telefonia e provedores de internet, mediante autorização judicial. O processo envolveu cruzamentos de dados de conexão, geolocalização e registros de acesso a aplicativos e redes.

“São dados irrefutáveis. A versão de Ramon, de que estaria na zona rural na casa dos pais no horário do crime, não se sustenta diante das evidências técnicas", afirmou o delegado.

A brutalidade do crime

Maria Victória foi encontrada morta dentro de casa pela própria mãe. A residência estava com a porta aberta e, ao procurar pela filha, a mulher encontrou o corpo caído no quarto, sem vida. A adolescente apresentava perfurações no tórax, inchaço no rosto e no pescoço, além de hematomas nos braços. Ela estava grávida de cinco meses.

Um detalhe inquietante é que, segundo os familiares, uma faca foi localizada na casa logo após o crime, mas o objeto desapareceu antes da chegada da perícia, dificultando a coleta de provas físicas. O corpo da adolescente foi exumado no dia 10 de abril para exames biológicos complementares, em busca de mais elementos que confirmem a dinâmica da agressão.

Do ex-namorado ao padrasto

A princípio, as suspeitas recaíram sobre o ex-namorado de Maria Victória, que seria o pai da criança. Porém, o jovem foi descartado da investigação após confirmação de que não estava no local antes ou durante o crime, segundo testemunhas e dados técnicos.

A atenção da polícia voltou-se então a Ramon, cuja proximidade com a vítima, acesso irrestrito à casa e relatos contraditórios chamaram a atenção. O padrasto tentou sustentar uma narrativa de ausência, mas a análise minuciosa do seu telefone derrubou a versão.

O que pode ter motivado o crime?

A motivação ainda não foi oficialmente divulgada pela polícia, mas fontes próximas à investigação não descartam hipóteses como conflitos familiares, ciúmes exacerbado ou até mesmo uma possível tentativa de encobrir um abuso sexual anterior, especialmente pelo fato da adolescente estar grávida.

A mãe da vítima, segundo relatos preliminares, não suspeitava do companheiro. No entanto, durante as investigações, notou comportamentos estranhos e se mostrou abalada ao saber dos indícios contra Ramon.

A prisão preventiva do padrasto foi necessária, segundo a Polícia Civil, porque sua presença junto à família e convivência com testemunhas estava atrapalhando o avanço das investigações.

Próximos passos

A polícia agora trabalha para recuperar a arma do crime, investigar se houve premeditação e buscar outras provas materiais que possam fortalecer a denúncia formal. O inquérito deve ser concluído nos próximos dias e remetido ao Ministério Público.

A morte de Maria Victória segue mobilizando o município de Itaueira e provocando indignação nas redes sociais. O caso é acompanhado de perto por entidades de defesa da infância e dos direitos da mulher.

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