
O que há por trás da ficha limpa de um universitário? Para a polícia, a resposta pode estar nas mensagens, vídeos e ligações armazenadas em um celular Samsung S21. O aparelho pertence ao estudante de Enfermagem Leonardo Araújo Meira, preso na noite da última quarta-feira (28), no bairro Tabuleta, zona Sul de Teresina, com um carregamento de cocaína avaliado em R$ 3,5 milhões.
A prisão do jovem, que aparentava uma vida pacata de acadêmico, expôs uma realidade paralela: ele seria peça-chave de uma organização criminosa que atua no tráfico interestadual de drogas entre o Maranhão e o Piauí. O delegado Agenor Ferreira, do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), já pediu à Justiça autorização para a extração completa dos dados do celular, na esperança de destrinchar os tentáculos da facção.
Segundo o DRACO, Leonardo era mais que um simples "mula" - ele organizava rotas, controlava o transporte e mantinha contatos com fornecedores e distribuidores. O Fiat Pulse que dirigia se transformou em veículo oficial do tráfico, com uso constante para o transporte de cocaína em grandes volumes. Mas o que mais intriga os investigadores é o que não foi pego: as conexões, o dinheiro, a origem da droga e os nomes que operam nos bastidores.
Se autorizado, o acesso ao celular pode desvendar as ramificações do esquema: desde os mandantes e intermediários até os esquemas de lavagem de dinheiro e rotas usadas para despistar a polícia. Mensagens de aplicativos como WhatsApp e Telegram, bem como dados de armazenamento em nuvem, poderão ser cruciais para alimentar novas prisões e operações de desmantelamento da quadrilha.
A cocaína apreendida - cuja origem ainda é mantida sob sigilo - pode ter vindo de rotas que passam por países da América do Sul e entram no Brasil via fronteira do Acre ou Rondônia, antes de atravessar o Maranhão e abastecer Teresina.
O que espanta as autoridades é a aparente normalidade com que Leonardo levava a vida. Ao mesmo tempo em que cursava disciplinas na área da saúde, operava uma logística que, segundo o DRACO, sustentava parte da estrutura de uma facção com capacidade para abastecer bairros inteiros da capital.
Enquanto isso, a cidade aguarda a resposta da Justiça. Um celular pode ser apenas um dispositivo comum - ou a chave para abrir os porões de um império do tráfico que usava jaleco universitário como disfarce.
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