
Atualizada às 18h46 - Cocaína de R$ 3,5 milhões teria como destino o Comando Vermelho em Teresina, revela DRACO
O que parecia ser apenas mais um estudante de Enfermagem circulando pelas ruas de Teresina era, segundo a Polícia Civil, peça-chave na engrenagem do tráfico interestadual de drogas. Leonardo Araújo Meira, 29 anos, foi flagrado com uma carga de cocaína avaliada em R$ 3,5 milhões - entorpecente que, de acordo com o DRACO, abasteceria diretamente o Comando Vermelho na capital e no litoral piauiense.
A investigação conduzida pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas expôs uma verdade incômoda: o tráfico no Piauí não se limita a morros, periferias ou favelas - ele veste jaleco, dirige carro de aplicativo e cruza fronteiras com aparência de normalidade. Segundo o delegado Charles Pessoa, Leonardo não era apenas um “mula”. Ele cuidava da logística: transporte, rota e entrega. Um operador discreto de um negócio bilionário.
O levantamento revelou ainda que a droga seguia um corredor criminal entre o Maranhão e o Piauí, indicando que o estado vem sendo usado como elo estratégico na rota do tráfico. O envolvimento de um universitário sem passagens anteriores pela polícia levanta uma pergunta inquietante: quantos outros rostos acima de qualquer suspeita estão fazendo a engrenagem girar - silenciosa, eficiente e altamente lucrativa?
Um flagrante milionário de tráfico de drogas em plena zona sul de Teresina chamou a atenção das autoridades e da população nesta semana. O Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) prendeu na noite da última quarta-feira (28) o estudante de Enfermagem Leonardo Araújo Meira, de 29 anos, transportando cerca de 30 tabletes de cocaína avaliados em R$ 3,5 milhões.
A prisão aconteceu nas imediações do Posto Fiscal da Tabuleta, durante uma barreira policial montada com base em uma investigação que vinha sendo conduzida há semanas. A abordagem ao veículo de Leonardo, um Fiat Pulse branco, confirmou as suspeitas: no porta-malas estavam escondidos os pacotes da droga, cuidadosamente embalados e prontos para distribuição.
De acordo com o delegado Agenor Ferreira, responsável pela investigação, o universitário vinha sendo monitorado por movimentações suspeitas entre os estados do Maranhão e Piauí. O que parecia ser uma rotina comum de motorista de aplicativo, escondia na verdade uma atividade de alto risco: o transporte interestadual de entorpecentes a serviço de uma organização criminosa.
Segundo a polícia, Leonardo usava o próprio veículo como ferramenta para o crime. Com a mobilidade que o disfarce permitia, passava despercebido em rodovias e ruas urbanas, carregando cargas valiosas que tinham como destino bairros da capital e regiões litorâneas do estado.
Um detalhe chamou a atenção dos investigadores: a droga estava embalada com imagens do ministro boliviano Carlos Eduardo Del Castillo, o que levanta fortes indícios de que a cocaína tenha origem na Bolívia, país conhecido como um dos maiores produtores da América do Sul.
Além disso, as investigações apontam que o carregamento seria distribuído para membros da facção Comando Vermelho, o que reforça a tese de que Leonardo não agia sozinho e fazia parte de um esquema estruturado com ramificações no tráfico nacional.
Diante da gravidade do caso, o DRACO representou pela prisão preventiva do estudante. A solicitação, fundamentada no risco de reiteração criminosa e na conexão do investigado com o crime organizado, foi encaminhada ao juiz plantonista responsável pela audiência de custódia, realizada na manhã desta quinta-feira (29).
Enquanto a Justiça decide sobre sua permanência atrás das grades, Leonardo permanece detido. O caso repercute fortemente no meio acadêmico e acende o alerta para o recrutamento de jovens universitários por organizações criminosas que atuam na região Nordeste.
A prisão de Leonardo Araújo Meira é mais um retrato do novo perfil do tráfico: discreto, articulado e infiltrado em espaços antes considerados fora do radar criminal. Para as autoridades, desarticular esses núcleos é um dos maiores desafios da segurança pública no estado do Piauí.
O caso segue sob investigação, e novas diligências devem revelar o alcance real da rede criminosa por trás do estudante. A apreensão, considerada uma das maiores do ano em Teresina, representa um duro golpe contra o tráfico e reforça o papel estratégico da repressão qualificada.
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