
A cada dia que passa, cresce a sensação de que o Brasil está escorregando para o status de um Narco-Estado - uma nação onde as facções criminosas ditam leis, controlam territórios, impõem julgamentos, executam sentenças e desafiam abertamente o Estado. O caso recente de Weverton Antônio dos Santos, motorista de aplicativo de 29 anos, sequestrado, torturado e esquartejado por membros do Comando Vermelho (CV), em Eunápolis, na Bahia, é mais um retrato assustador dessa realidade.
Weverton havia começado a frequentar um bairro dominado por traficantes, onde vivia sua atual namorada. Foi o suficiente para que os criminosos, em um ato típico dos chamados “tribunais do crime”, o acusassem falsamente de ser um informante - um “X-9”, no jargão das facções.
O jovem foi sequestrado, brutalmente torturado, e teve o assassinato filmado pelos próprios algozes, que usaram seu celular para enviar os vídeos a contatos da vítima. O corpo ainda não foi encontrado; suspeita-se que tenha sido deixado em um cemitério clandestino, prática comum das organizações criminosas.
A Bahia, governada há mais de duas décadas pelo PT, é hoje o Estado com os maiores índices de violência do Brasil, segundo dados de segurança pública. Em vez de avançar no combate ao tráfico e ao crime organizado, o que se vê é um recuo das instituições diante do poder armado das facções.
O Comando Vermelho (CV), o PCC e outras organizações dominam não só favelas, mas bairros inteiros, comunidades rurais e até pequenas cidades, especialmente no Norte e Nordeste do país. Eles cobram taxas, aplicam castigos e até impõem “leis” próprias. Vivemos, cada vez mais, sob uma soberania paralela, onde o Estado brasileiro já não é a autoridade final.
Como se não bastasse o domínio armado nas ruas, agora a violência das drogas avança sobre os próprios lares e escolas. Um caso ocorrido há dois meses em Itamonte (MG), ainda repercute em todo o país: uma criança de apenas 4 anos levou 25 papelotes de cocaína para a creche. Segundo relato da professora, a menina teria dito que o “doce” foi dado por seu pai.
Será que o pai estava usando a própria filha para aliciar outras crianças e normalizar o consumo de drogas ainda na infância? A pergunta é tão chocante quanto necessária.
Mais chocante ainda: o pai da criança tem 20 passagens pela polícia, incluindo porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e violência doméstica. É figura conhecida das autoridades. Então, questiona-se:
Por que esse homem ainda está solto?
Como alguém com esse histórico vive livre, mesmo após um episódio tão grave?
Os pais da criança foram chamados à escola? O que disseram às autoridades?
As instituições de proteção à infância estão reagindo com a devida seriedade?
Apesar da gravidade do caso, não houve flagrante, e o pai ainda não foi preso. A Polícia Civil solicitou a prisão, mas o mandado ainda não foi cumprido. Enquanto isso, o tio da criança foi detido por desacato, ao ameaçar a professora que fez a denúncia e tentar tirar a menina da escola à força.
O laudo confirmou: era cocaína. Das 25 porções, nove estavam parcialmente consumidas. Um laudo médico apontou que, felizmente, nenhuma das 18 crianças expostas chegou a ingerir a droga. Mas o susto - e o alerta - permanecem.
O tráfico de drogas contamina famílias, escolas e instituições. A droga tornou-se o “bem de valor” em muitas comunidades, substituindo princípios básicos de ética e humanidade por uma lógica de barbárie e sobrevivência sob a tutela do crime. O inaceitável vai sendo normalizado.
A pergunta que não quer calar: onde está o Estado? Onde estão os governos? Onde está a reação institucional? Facções impõem o medo, substituem as leis, executam inocentes e moldam comportamentos, enquanto a classe política debate sem coragem e evita reconhecer que o Brasil já vive uma guerra interna.
Mais alarmante ainda é o fato de que o governo federal recusa-se a classificar facções como grupos terroristas, mesmo com os métodos usados por elas - sequestros, torturas, execuções, domínio territorial - sendo os mesmos adotados por organizações terroristas em outros países.
O Brasil assiste à consolidação de um Narco-Estado. Os relatos não são exageros midiáticos nem alarmismo. São fatos. Weverton é apenas mais um nome numa lista que cresce todos os dias. E o caso da creche é o sintoma mais cruel de uma doença que já se espalhou pelas veias da sociedade.
A impunidade e o silêncio das instituições alimentam o terror. E a sociedade, aos poucos, acostuma-se com o inaceitável.
Até quando o brasileiro vai assistir de braços cruzados à falência do seu próprio país?
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