Segunda, 29 de Junho de 2026
23°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Polícia DINHEIRO VIVO II

Só lobo-guará! PF apreende R$ 1,2 milhões em notas de R$ 200 no aeroporto

Empresários são pegos no aeroporto de Brasília com malas recheadas de R$ 1,2 milhão em notas de R$ 200. Dinheiro tinha destino misterioso, origem duvidosa e justificativa mais furada que queijo suíço

22/05/2025 às 20h36
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Mala recheada de “lobo-guará” apreendida no aeroporto de Brasília - Foto: Reprodução
Mala recheada de “lobo-guará” apreendida no aeroporto de Brasília - Foto: Reprodução

A Polícia Federal desmascarou, nesta terça-feira (20), um caso digno de roteiro de filme - se não fosse um retrato tão vergonhoso da corrupção à brasileira. Três empresários amazonenses foram flagrados no Aeroporto Internacional de Brasília com malas abarrotadas de dinheiro vivo: exatos R$ 1,2 milhão, em notas novinhas de R$ 200 - os famosos "lobo-guará".

Os detidos são César de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho, todos oriundos de Manaus (AM) e embarcados no voo LATAM 3747, com destino à capital federal. Mas a viagem foi interrompida quando o raio-x da bagagem entregou o segredo: malas recheadas de dinheiro, sem origem convincente, destino definido, ou nota fiscal sequer para disfarçar.

A quem pertencia a fortuna?

O dinheiro estava sob posse do trio, ligado à empresa Comercial CJ - Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., registrada em Presidente Figueiredo (AM) e controlada por César Albuquerque. A empresa, que no papel vende alimentos, também aparece fornecendo de tudo um pouco: bonés, bolsas, tecidos e até serviços funerários. Uma verdadeira “empresa de buffet de negócios”, que atende de caixão a coxinha.

E de onde saiu tanto dinheiro?

Documentos oficiais apontam que a prefeitura de Coari (AM) transferiu mais de R$ 2,5 milhões para a Comercial CJ somente no último mês. Segundo os empresários, o dinheiro apreendido seria parte desses pagamentos e seria usado para comprar insumos e quitar dívidas em Goiás. Só esqueceram de combinar a versão entre si, porque não conseguiram dizer onde exatamente iriam comprar os produtos ou quem receberia os valores. Contradições pipocaram, e a Polícia Federal não engoliu a história.

Mas... por que levar R$ 1,2 milhão em notas de R$ 200, dentro de malas?

Simples: quem anda com esse volume de dinheiro em espécie, em tempos de Pix e TED, não está fazendo compras no cartão corporativo. A suspeita é de lavagem de dinheiro e possível pagamento de propinas, justamente durante a semana da tradicional Marcha dos Prefeitos em Brasília, evento que reúne autoridades de centenas de municípios do Brasil - incluindo os que firmaram contratos com a tal empresa “faz-tudo”.

O dinheiro tem lastro? É legal?

Até agora, não há qualquer documentação fiscal que comprove a origem legal dos R$ 1,2 milhão. A desculpa da empresa foi genérica, as contradições se acumularam e a PF está convencida de que o caso envolve, no mínimo, forte indício de crime financeirolavagem de dinheiro, peculato e, possivelmente, corrupção ativa.

E agora?

Os três foram autuados e estão à disposição da Justiça do Distrito Federal. A PF ainda investiga se havia intermediação de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos - o que explicaria o “turismo de mala cheia” em Brasília.

Moral da história:

Quando três empresários decidem viajar com R$ 1,2 milhão em lobo-guará nas malas, alegam que vão “comprar insumos” mas não sabem nem o endereço do fornecedor, é porque tem algo muito mais podre do que peixe no rio Amazonas. Brasília já viu de tudo, mas mala de dinheiro em pleno aeroporto ainda continua sendo a mais fiel assinatura de quem tem medo de extrato bancário.

E, como diria o bordão popular:
"Quem tem rabo de palha... não viaja com mala de dinheiro no calor do scanner".

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários