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Geral PAUÍ NA CORRUPÇÃO

Corrupção no INSS atinge em cheio o Piauí: nove cidades lideram ranking de descontos indevidos em aposentadorias

Estado mais pobre do país e com maior votação proporcional a Lula, o Piauí concentra quase metade dos municípios com mais vítimas de fraudes contra aposentados e viúvas; Ribeiro Gonçalves lidera lista nacional. Inação do ministério comandado por Wellington Dias levanta suspeitas de omissão

22/05/2025 às 14h14 Atualizada em 22/05/2025 às 14h32
Por: Douglas Ferreira
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Na capital tem idoso lesado mas os criminosos meteram a mal foi nos aposentados do interior - Foto: Reprodução
Na capital tem idoso lesado mas os criminosos meteram a mal foi nos aposentados do interior - Foto: Reprodução

A corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expôs uma triste realidade no Piauí: os aposentados e pensionistas do estado, muitos deles entre os mais pobres do país, foram duramente atingidos por um esquema de descontos indevidos em seus benefícios. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), nove dos 19 municípios brasileiros com maior índice de descontos suspeitos estão no território piauiense - um escândalo que envolve diretamente o governo federal.

O Estado mais afetado do Brasil

De acordo com os dados da CGU referentes a março de 2024, a cidade de Ribeiro Gonçalves lidera o ranking nacional com 65,40% dos aposentados e pensionistas sendo vítimas de descontos não autorizados, totalizando R$ 24.969,89 desviados em um único mês.

Ao todo, nove cidades piauienses integram a lista:

Município Beneficiários Vítimas de descontos % afetados Valor total
Ribeiro Gonçalves 1.263 826 65,40% R$ 24.969,89
Floresta do Piauí 683 437 63,98% R$ 12.817,41
Patos do Piauí 1.848 1.167 63,15% R$ 34.790,17
Jacobina do Piauí 1.545 956 61,88% R$ 28.224,91
Porto Alegre do Piauí 404 249 61,63% R$ 7.994,96
Passagem Franca do Piauí 917 561 61,18% R$ 16.777,17
Matias Olímpio 2.229 1.357 60,88% R$ 42.181,73
Antônio Almeida 726 437 60,19% R$ 13.548,70
São José do Peixe 955 573 60% R$ 17.869,81

Esses valores representam apenas uma fração de um rombo estimado em R$ 6,3 bilhões no INSS, conforme investigações da Polícia Federal. O golpe atingiu idosos e viúvas com falsos empréstimos consignados e descontos automáticos de associações e sindicatos inexistentes.

Como os criminosos agiram?

Entre 2019 e 2024, organizações criminosas atuaram com auxílio de servidores e instituições financeiras, cadastrando indevidamente aposentados em supostos convênios e realizando descontos mensais em suas aposentadorias. Muitos só perceberam os desvios anos depois.

Os criminosos miraram principalmente municípios pobres e com baixa escolaridade, onde a fiscalização é escassa. O Piauí, por essas características, se tornou terreno fértil para esse tipo de fraude, com centenas de milhares de idosos enganados.

Onde estava o Ministério de Wellington Dias?

Embora o "consórcio criminoso" tenha ocorrido dentro do Ministério da Previdência Social e não no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a pergunta que não quer calar é: por que o MDS chefiado por Wellington Dias, não conseguiu identificar nem conter as fraudes em seu próprio Estado natal? Afinal, o então ministro Carlo Lupi e outros órgãos do governo já haviam sido alertados sobre a "jogatinha" com o dinheiro dos vilhinhos do INSS.

Wellington Dias, um dos aliados mais próximos do presidente Lula e ex-governador do Piauí por quatro mandatos, conhece como poucos a realidade do Estado. Sua pasta tem responsabilidade direta na fiscalização do INSS e na proteção de populações vulneráveis.

Mesmo com alertas públicos desde o início do ano, o ministério demorou a agir. Não houve medidas concretas para interromper os descontos nem proteger as contas dos beneficiários piauienses. Até hoje, faltam respostas claras sobre o motivo da omissão e da lentidão. Para muitos, a postura do ministério beira à negligência institucional.

A inércia e o impacto humano

Enquanto Brasília silenciava, milhares de aposentados do interior do Piauí viam seus benefícios sendo corroídos por cobranças misteriosas. Muitos deixaram de comprar remédios, alimentos e até mesmo pagar contas básicas.

O governo federal demorou a reconhecer o problema e, mesmo depois, não articulou políticas eficazes de restituição, responsabilização das entidades fraudulentas ou indenização dos lesados.

Um retrato cruel da desigualdade

O caso revela mais do que falhas administrativas - é um retrato brutal do abandono do idoso pobre no Brasil. O fato de que as maiores vítimas estão em um Estado que deu ao presidente Lula a maior votação proporcional do país apenas aumenta a sensação de traição.

A população do Piauí, já castigada pela pobreza, seca e exclusão histórica, foi novamente esquecida - desta vez por um governo que se dizia comprometido com os mais vulneráveis. Por isso mesmo a oposição já grita: "Lula só gosta de pobre na hora de pedir o voto".

Se o governo quiser recuperar a confiança do povo, é urgente garantir a devolução dos valores aos aposentados prejudicados, punir os envolvidos e revisar completamente os convênios e autorizações no sistema do INSS. O tempo da omissão já passou. Agora, é hora de ação.

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