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Celular e tablet na cela: novo capítulo na crise de Tatiana Medeiros

Aparelhos eletrônicos escondidos na custódia da vereadora afastada complicam ainda mais sua situação, e Câmara confirma suplente para 4 de junho

20/05/2025 às 13h36 Atualizada em 20/05/2025 às 15h02
Por: Douglas Ferreira
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A situação jurídica de Tatiana Medeiros pode se agravar com a PT encontrando celular e tablet em sua custódia - Foto: Reprodução
A situação jurídica de Tatiana Medeiros pode se agravar com a PT encontrando celular e tablet em sua custódia - Foto: Reprodução

Desde o último sábado, o caso da vereadora socialista Tatiana Medeiros (PSB) ganhou novos desdobramentos que podem agravar sua já delicada situação jurídica. Durante vistoria de rotina realizada na sala de estado-maior do Quartel do Comando-Geral da PMPI, onde a parlamentar está presa desde 3 de abril, agentes da Polícia Federal encontraram um smartphone e um tablet escondidos em seu local de custódia.

Risco de novas provas e responsabilização ampliada

O simples fato de manter aparelhos eletrônicos em ambiente fechado e monitorado pela Polícia Militar fere determinações judiciais básicas de denúncias e investigações em curso. Agora, esses dispositivos serão periciados pela PF, e as mensagens, áudios e registros de chamadas poderão se converter em provas contundentes contra a vereadora. Mais ainda: caso evidenciem contato com terceiros - sejam eles envolvidos na suposta facção Bonde dos 40 ou eventuais receptadores de recursos da ONG Instituto Vamos Juntos -, Tatiana poderá responder por obstrução de justiça e formação de quadrilha, além de comprometer pessoas ainda não indiciadas.

Motivação e comunicação: as perguntas sem resposta

Por que Tatiana arriscou usar telefone e tablet na prisão? A resposta oficial não veio, mas especialistas apontam dois cenários possíveis:

  1. Manter contato político - coordenar estratégias de defesa e articulações partidárias;

  2. Gerir repasses de dinheiro ou informações ligados à investigação inicial da Operação Escudo Eleitoral, deflagrada após as Eleições 2024.

Ainda não se sabe a que interlocutores os equipamentos estavam conectados, nem quais conteúdos comprometedores trafegaram por ali. O silêncio da defesa só aumenta as suspeitas de que, longe de ser um mero descuido, o uso dos aparelhos fazia parte de um plano deliberado de comunicação subterrânea.

Advogado levou os equipamento para Tatiana

Outro ponto que intrigou as autoridades foi como os equipamentos eletrônicos chegaram à vereadora. Questionada sobre a entrada do celular e do tablet na sala de estado-maior, Tatiana Medeiros afirmou sem hesitar que havia sido seu advogado quem os entregou. A Polícia Militar do Piauí, por sua vez, reforça seu compromisso com o cumprimento da legalidade e a fiscalização permanente nas dependências sob sua responsabilidade, tendo comunicado o fato às autoridades competentes para as providências cabíveis.

Suplente definido: leão rugindo em 4 de junho

Enquanto Tatiana enfrenta a nova etapa de sua crise judicial, a Câmara Municipal de Teresina tomou sua decisão política: o suplente Leôndidas Júnior (PSB) será convocado para assumir a cadeira em 4 de junho, quando completará-se o prazo de 60 dias de afastamento. Em entrevista, o presidente Enzo Samuel (PDT) afirmou que a medida “nunca foi descartada” e atende rigorosamente ao Regimento Interno e à Lei Orgânica do município.

Consequências eleitorais e de governança

A manutenção de Tatiana recebendo salário integral torna ainda mais urgente a presença de um parlamentar em plenário. Mais que preencher assentos, a convocação de Leôndidas restaura parcialmente o direito de representação dos eleitores do PSB em Teresina. Por outro lado, a descoberta dos aparelhos pode influenciar a tramitação de pedidos de cassação, afastamento definitivo ou mesmo chamariz para investigações sobre a ONG Instituto Vamos Juntos, cuja suspensão já foi determinada pela Justiça Eleitoral.

Próximos passos:

  • Perícia da PF: análise de dados e comunicações do celular e tablet

  • Defesa de Tatiana: eventual contestação da quebra de sigilo e argumento de contrarrazões

  • Câmara de Teresina: posse de Leôndidas Júnior em 4 de junho e realocação de comissões

  • Tribunal Eleitoral: acompanhamento de possíveis recursos e decisões sobre o mandato

Em meio a suspeitas de ligação com facção criminosa e com provas que se multiplicam, a trajetória política de Tatiana Medeiros caminha para um desfecho tumultuado - e o dia 4 de junho pode marcar não apenas uma troca de cadeiras na Câmara, mas um ponto de não retorno em sua carreira. Mas como na política tudo é possível. O mais sensato é sentar e esperar.

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