
O que deveria ser apenas mais um fim de semana tranquilo se transformou em um verdadeiro pesadelo para os moradores da zona Sudeste de Teresina. Desde a última sexta-feira (16), bairros inteiros como Dirceu, Renascença, Itararé, Alto da Ressurreição e Parque Ideal convivem com o drama da total ausência de água nas torneiras. A rotina básica de milhares de famílias foi interrompida de forma abrupta e sem previsão clara de retorno.
Mesmo quem tem caixa-d’água em casa, como é o caso da dona Lúcia Nunes, moradora do Parque Ideal, viu o reservatório secar rapidamente diante da demanda e da incerteza. “Ficamos sem água até para cozinhar. Tivemos que pedir socorro a parentes de outros bairros para conseguir um tonel d’água”, desabafa. Já dona Toinha Silva, do Renascença I, protestou: “Essa empresa só tem água no nome. Toda semana falta e ninguém resolve nada.”
A empresa responsável pelo abastecimento, Águas de Teresina, alega que o problema se deve a uma manutenção emergencial no sistema de bombeamento, envolvendo substituição de bombas, válvulas e outros equipamentos. A previsão inicial era de que tudo estaria normalizado no sábado (17), mas até o domingo (18) à noite, o fornecimento seguia irregular - ou completamente ausente - em boa parte da região.
O gerente de operações da concessionária, João Lemos, afirmou em vídeo que “ações emergenciais” continuam sendo realizadas e que o abastecimento só deve ser restabelecido gradualmente a partir das 6h da segunda-feira (19). Enquanto isso, a empresa informou que está disponibilizando caminhões-pipa para atender a população. No entanto, muitos moradores afirmam que o atendimento emergencial é insuficiente e desorganizado.
Desorganização e invisibilidade social
A situação é ainda mais grave para pessoas em situação de vulnerabilidade. Uma mãe, moradora do bairro Dirceu e responsável por uma criança com autismo, relatou que não recebeu nenhuma previsão de reabastecimento nem auxílio direto. “É como se não existíssemos. A empresa não nos enxerga”, disse, preferindo não se identificar.
Falta de planejamento e negligência crônica
A revolta popular é generalizada. Para muitos, o problema vai além de um defeito técnico. Trata-se de uma falha de gestão, de planejamento e, sobretudo, de respeito com a população. O que mais incomoda os moradores é a frequência com que essas interrupções ocorrem - muitas vezes sem aviso prévio e com promessas que não se cumprem. A sensação de abandono é tão intensa quanto a seca nas torneiras.
Com o início da semana, há quem tema não conseguir sequer sair de casa para trabalhar. A higiene pessoal, o preparo de alimentos e o cuidado com crianças e idosos se tornaram tarefas dramáticas. A indignação cresce com a percepção de que não há punição nem fiscalização efetiva sobre o desempenho da Águas de Teresina, uma empresa que, segundo denúncias de moradores, cobra caro, entrega pouco e presta esclarecimentos genéricos.
É hora de cobrar providências firmes
Diante de mais esse episódio, muitos se perguntam: até quando Teresina vai tolerar esse nível de serviço? Onde estão os órgãos reguladores? Por que a Prefeitura e o Ministério Público não tomam medidas mais duras? A falta d’água em pleno século XXI, em bairros inteiros de uma capital brasileira, não pode ser tratada como um "transtorno temporário".
Enquanto caminhões-pipa tentam apagar o incêndio social provocado pela escassez, a população clama por responsabilidade, transparência e soluções definitivas - não apenas promessas vazias de uma empresa que já perdeu a confiança dos moradores da zona Sudeste.
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