
A Polícia Civil do Piauí solicitou à Justiça a derrubada dos perfis nas redes sociais da influencer Ana Azevedo, presa na Operação Draco 210: Faixa Rosa, que investiga a atuação de mulheres em facções criminosas, especialmente no Bonde dos 40, com atuação em várias regiões de Teresina.
Ana Azevedo é conhecida nas redes sociais como influencer digital. Seus perfis, com milhares de seguidores, eram usados para divulgar uma imagem de luxo, ostentação e suposta “superação”. No entanto, segundo as investigações do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), por trás da aparência de influenciadora estava uma integrante ativa de uma organização criminosa.
A prisão ocorreu após a deflagração da Operação Faixa Rosa, que tem como alvo o núcleo feminino do Bonde dos 40 — facção conhecida por sua atuação violenta no Estado. Ana foi detida sob suspeita de posse ilegal de arma de fogo e receptação. Junto com ela, também foi denunciado o namorado, Victor Rangel Lopes da Silva.
Segundo o Ministério Público do Piauí, os dois foram formalmente denunciados na última quinta-feira (15) pelos crimes previstos no artigo 12 da Lei de Armas (10.826/2003) e artigo 180 do Código Penal (receptação).
De acordo com o DRACO, Ana Azevedo participava de um grupo no WhatsApp denominado “A Luta Não Para”, utilizado pela facção para compartilhar orientações, distribuir tarefas e manter registros das integrantes. Ela teria uma função de mobilização e propaganda, usando seus canais digitais para enaltecer o Bonde dos 40, ostentar armas de fogo e exaltar o poder da facção.
As postagens buscavam recrutar simpatizantes, demonstrar poder entre seguidores e legitimar ações criminosas, o que configura, segundo a polícia, apologia ao crime.
A representação feita à Justiça aponta que os perfis mantidos por Ana Azevedo e outras investigadas servem como meios de difusão do conteúdo criminoso, incentivando e naturalizando a criminalidade, principalmente entre jovens e seguidores vulneráveis à influência digital.
Para o DRACO, a manutenção desses perfis viola a ordem pública e contribui para o fortalecimento simbólico das facções. Por isso, o departamento pediu o banimento imediato das contas das investigadas, como forma de interromper a propagação do discurso criminoso e enfraquecer a presença da facção nas redes.
Além de Ana Azevedo, a operação prendeu Antônia Rosiane Rodrigues, conhecida como “Perigosa”, que estava foragida até ser localizada na quinta-feira (15). Com ela, o DRACO segue em busca do último alvo ainda não capturado.
A operação é considerada um marco na repressão à presença feminina no crime organizado, revelando que as mulheres têm assumido posições ativas em facções, inclusive em logística, comando e comunicação.
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