
Mais um episódio estarrecedor vem à tona em Parnaíba, no litoral do Piauí. Desta vez, o acusado é Nathan Ribeiro, de 30 anos, treinador de futebol e também pastor evangélico, que foi preso sob a acusação de abusar sexualmente de seus alunos - adolescentes do sexo masculino.
Nathan era visto por muitos como um líder inspirador. Atuava como técnico de futebol e também exercia papel religioso, com licença para atuar como pastor. Sua imagem pública era a de um mentor, um exemplo para jovens em situação de vulnerabilidade. No entanto, segundo a investigação, essa confiança era usada para fins abusivos.
A delegada Rafaela Bezerra, responsável pelo caso, concedeu uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (12), revelando detalhes perturbadores sobre o modo de atuação de Nathan. Ela o comparou diretamente ao notório líder religioso João de Deus, afirmando:
“Ele é uma mistura de João de Deus e futebol.”
A investigação começou após uma denúncia anônima. Nenhuma das vítimas ou suas famílias procurou diretamente a polícia. Em cerca de 30 dias, mais de 25 pessoas foram ouvidas, e o inquérito já é considerado extenso. Até o momento, todas as vítimas identificadas são do sexo masculino.
A delegada revelou que as vítimas apresentam três características em comum:
Ausência da figura paterna: Em pelo menos 9 das 12 vítimas identificadas, o pai era ausente ou omisso.
Vulnerabilidade emocional: Os meninos chamavam Nathan de “pai” e pediam bênçãos a ele.
Confiança cega: Ele assumia o papel de guia espiritual e técnico, criando dependência emocional.
“Ele manipulava a mente dos adolescentes ao ponto de fazê-los acreditar que aquele tipo de comportamento era comum dentro do ambiente do futebol”, afirmou a delegada.
As vítimas se dividem em dois grupos:
Jovens ligados à igreja, hoje maiores de idade
Adolescentes ainda inseridos no meio do futebol, menores de idade
Após as denúncias, o treinador foi desligado de suas funções esportivas e religiosas.
Segundo os investigadores, Nathan usava a religião como ferramenta de aproximação e manipulação. No quarto onde foi preso, havia uma bíblia ao lado da cama, reforçando a narrativa de “líder espiritual”. Ele realizava videochamadas com os adolescentes, nas quais os induzia a se expor, sempre sob o discurso de “orientação” ou “confiança”.
A gravidade do caso levanta reflexões urgentes sobre a vulnerabilidade de jovens carentes de apoio familiar, a necessidade de vigilância em ambientes esportivos e religiosos, e principalmente, o poder devastador da manipulação emocional e espiritual.
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