
Teresina amanheceu hoje sob o eco seco dos tiros que selaram o destino de João Manoel Fernandes de Sousa, 16 anos, o menor que, sem medo ou arrependimento, assassinou o cabo da Polícia Militar Antônio Elenilton Galvão. A caçada foi rápida, cirúrgica e brutal - como exige a resposta a quem desafia frontalmente o Estado.
Refugiado num motel da zona Leste, João Manoel parecia não entender a dimensão do crime que cometera. Quando as forças de elite do BEPI cercaram o local, em uma ação montada com precisão, o adolescente - que já ostentava uma ficha criminal antes mesmo de atingir a maioridade - optou por uma saída suicida: enfrentou os policiais a tiros. A reação foi imediata. Alvejado, foi socorrido, mas morreu no Hospital de Urgência de Teresina. Seu comparsa, Kaua Pablo Vieira Silva, 19 anos, menos afoito, se entregou e agora responde pela morte do cabo.
A morte de João Manoel, ainda adolescente, é emblemática. Ela expõe a engrenagem suja e covarde que opera na periferia, onde facções criminosas como o Comando Vermelho cooptam crianças, treinam-nas para matar e descartam-nas como se fossem lixo humano. João era apenas mais uma peça descartável desse tabuleiro sangrento. Seu destino já parecia traçado muito antes de apertar o gatilho contra Elenilton Galvão.
A motivação para o crime ainda é oficialmente investigada, mas o contexto é claro: dias antes, o filho de Regim, apontado como um dos líderes do CV na zona Norte, tombou em confronto com a PM. A morte do policial pode ter sido uma resposta ordenada de dentro da cadeia — uma vingança covarde que escolheu como alvo um militar que, naquele momento, não estava em serviço, apenas cuidava do seu pequeno negócio.
A ousadia dos criminosos em executar um policial à luz do dia, em frente a sua academia, é um tapa na cara da sociedade. Mas a resposta dada pelas forças de segurança foi um recado ainda mais duro: o crime não ficará sem castigo. Hoje, Teresina viu que a mão do Estado ainda pesa — e que os soldados caídos não serão esquecidos.
Entretanto, não há o que comemorar. Cada operação dessas é a prova de que perdemos no básico: no combate às facções, na proteção de nossas crianças da sedução do crime, no investimento em inteligência antes que o sangue escorra pelo asfalto. O Estado matou o assassino, mas o que formou João Manoel permanece vivo e forte nas periferias: a máquina da criminalidade continua recrutando, treinando e armando.
Se queremos justiça de verdade, ela precisa começar muito antes do cerco a um motel. Precisa começar na escola, na família, nas comunidades. Enquanto isso não acontecer, novos Joões Manoel surgirão. E a morte, tanto dos inocentes quanto dos culpados, continuará sendo o idioma silencioso das nossas cidades.
O cabo Elenilton tombou em serviço à sociedade. João Manoel tombou em serviço ao crime. Ambos são produtos de um país que precisa decidir urgentemente quem quer proteger - e quem está disposto a perder.
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