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Polícia DESCONTO CRIMINOSO

Presidente do INSS é afastado após esquema de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos de aposentados

Desde 2019, entidades vinham cobrando ilegalmente aposentados e pensionistas com anuência de servidores do INSS; PF e CGU desarticulam quadrilha que operava dentro do sistema previdenciário

23/04/2025 às 13h51
Por: Douglas Ferreira
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Alessandro Stefanutto, exonerado por decisão do ministro da Previdência Carlos Lupi - Foto: Reprodução
Alessandro Stefanutto, exonerado por decisão do ministro da Previdência Carlos Lupi - Foto: Reprodução

Uma das maiores fraudes já identificadas contra a Previdência Social brasileira veio à tona com a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). O esquema criminoso, que operava desde 2019, desviou cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS por meio de descontos associativos ilegais, escancarando a vulnerabilidade do sistema previdenciário brasileiro e a conivência interna com práticas corruptas.

Como funcionava o esquema?

A dinâmica da fraude consistia na inclusão indevida de descontos mensais nos contracheques de aposentados e pensionistas, sob o pretexto de "mensalidades associativas" a entidades que os beneficiários nunca autorizaram ou sequer conheciam.

Essas entidades - supostamente sindicatos ou associações - se cadastravam junto ao sistema do INSS com a anuência ou omissão de servidores públicos corruptos, que facilitavam os acessos aos dados dos segurados e autorizavam os descontos diretamente no pagamento dos benefícios.

As quantias iam parar nas contas dessas entidades, controladas por um núcleo empresarial e político, com indícios de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

A Operação realizou busca e apreensão na sede do INSS em Brasília - Foto: Reprodução

Quem se beneficiou?

A apuração já identificou vários núcleos atuantes no esquema:

  • Entidades de fachada que recebiam os recursos;

  • Servidores do INSS que permitiam os descontos e facilitavam os acessos;

  • Consultores e operadores financeiros, que atuavam na lavagem dos valores desviados;

  • E, segundo fontes da investigação, há suspeitas de interferência política nos bastidores da sustentação institucional do golpe.

Envolvidos, prisões e afastamentos

A operação mobilizou quase 800 agentes da PF e da CGU, com ações simultâneas em 13 estados e no Distrito Federal. Foram:

  • 6 mandados de prisão preventiva cumpridos;

  • 6 servidores públicos do INSS afastados de suas funções, incluindo o próprio presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, exonerado por decisão do ministro da Previdência Carlos Lupi;

  • 211 mandados de busca e apreensão, em escritórios, residências e sedes de associações.

Quais crimes foram cometidos?

Os investigados podem responder por:

  • Corrupção ativa e passiva

  • Organização criminosa

  • Lavagem de dinheiro

  • Falsificação de documentos

  • Violação de sigilo funcional

As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão, além das sanções administrativas e cíveis.

Quanto foi resgatado e quais bens foram apreendidos?

A Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos. Entre os itens apreendidos estão:

  • Veículos de luxo;

  • Imóveis;

  • Aplicações financeiras;

  • Joias;

  • Documentos e dispositivos digitais que podem revelar a extensão da rede criminosa.

Impactos para o INSS

O escândalo compromete ainda mais a imagem institucional do INSS, já pressionado por denúncias de ineficiência e por filas de espera no atendimento. O desvio de bilhões significa prejuízo direto aos beneficiários, e pode impactar a sustentabilidade financeira do regime previdenciário, além de gerar desconfiança na população em relação à segurança dos seus proventos.

A CGU aponta que a prática vinha crescendo desde 2019, com pico entre 2022 e 2023, quando a máquina de descontos indevidos foi ampliada e diversificada.

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