
O principal suspeito da morte da jovem Alice Borges Barroso, de 25 anos, encontrada sem vida nas águas do Rio Surubim, em Campo Maior (PI), apresentou-se à polícia na noite desta terça-feira (22), depois de ter a prisão decretada. Darlan de Oliveira Sousa, ex-companheiro da vítima, chegou à Delegacia de Polícia Civil de Campo Maior acompanhado de um advogado e teve contra si cumprido o mandado de prisão temporária, expedido pela Justiça a pedido da delegada Emylle Kaynar.
Alice, que estava grávida, desapareceu no sábado (19) e foi encontrada morta no dia seguinte. Inicialmente, a hipótese de afogamento foi considerada, mas a investigação passou a tratar o caso como feminicídio após o surgimento de indícios que apontam para possível envolvimento do companheiro.
Ao se entregar, Darlan negou ter matado Alice. Em depoimento preliminar, afirmou que não teve participação na morte e que apenas se ausentou para “proteger sua integridade”, segundo fontes próximas à investigação. O advogado de defesa, Hartonio Bandeira, sustenta que seu cliente é inocente e que sua apresentação voluntária “é prova de que ele quer colaborar com a Justiça”. Apesar disso, até o momento, Darlan não ofereceu uma versão clara sobre os momentos que antecederam a morte da jovem.
A polícia, por sua vez, considera o comportamento do suspeito como evasivo. “Ele estava ciente da morte, da comoção e da investigação, mas não se apresentou imediatamente nem ajudou nas buscas, o que levanta suspeitas”, declarou a delegada Kaynar. A ausência de Darlan após o crime e a tentativa de se manter escondido reforçaram os pedidos de prisão e o tratamento do caso como possível feminicídio.
A motivação para o crime ainda não foi oficialmente esclarecida, mas uma das hipóteses levantadas pela investigação seria a gravidez da vítima. Segundo relatos de pessoas próximas, o relacionamento entre Alice e Darlan era marcado por idas e vindas e teria se tornado mais tenso após a descoberta da gestação.
Agora, a Polícia Civil aguarda o resultado do laudo cadavérico do Instituto Médico Legal (IML), que será crucial para definir a causa exata da morte - se foi afogamento, assassinato com posterior ocultação em água, ou outro tipo de violência. O exame pode confirmar ou afastar a presença de lesões corporais, sinais de luta ou tentativa de defesa, que seriam determinantes para caracterizar o feminicídio.
Com a prisão de Darlan por 30 dias, as autoridades esperam aprofundar os interrogatórios e confrontar o suspeito com as provas colhidas. A sociedade campomaiorense, que acompanhou com comoção o caso, agora aguarda respostas.
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