
A morte da jovem Alice Borges Barroso, de 25 anos, ganhou contornos sombrios e revoltantes em Campo Maior. Encontrada boiando nas águas do açude Surubim no último domingo (20), a jovem, que estava grávida, havia desaparecido no sábado anterior. Inicialmente tratado como afogamento, o caso agora é investigado como feminicídio - e tem como principal suspeito seu ex-companheiro, Darlan de Oliveira Sousa, que está foragido.
O silêncio de Darlan desde o desaparecimento de Alice acendeu o alerta. Ele, que deveria estar entre os primeiros a exigir respostas, simplesmente sumiu. O que ele teme? O que tem a esconder? O que pode ter motivado um crime tão brutal - a gravidez, o fim do relacionamento, o medo da responsabilidade?
Alice foi vista pela última vez saindo de casa acompanhada de uma vizinha. Horas depois, sem notícias, a família acionou a polícia. No dia seguinte, o corpo foi encontrado próximo à barragem. Objetos pessoais da jovem - incluindo uma garrafa de bebida e peças de roupa - foram encontrados em outro ponto, sinalizando que algo estava fora do comum.
Logo surgiram rumores entre os moradores: o nome de Darlan circulava, mas a polícia ainda não o tratava como suspeito. Isso mudou com os primeiros depoimentos e a inconsistência das versões. Agora, com mandado de prisão expedido, ele é oficialmente considerado foragido.
A defesa técnica de Darlan, em nota pública, lamentou a morte e afirmou que o acusado estaria à disposição das autoridades. Mas essa “disposição” não passou de palavras vazias: ele não foi localizado e sequer tentou prestar esclarecimentos. O sumiço, nesse contexto, fala mais do que qualquer pronunciamento jurídico.
A delegada Emylle Kaynar, da Delegacia da Mulher e Grupos Vulneráveis (DeamGV), lidera as investigações e já pede ajuda da população para localizar o foragido. O número 190 está disponível para denúncias anônimas.
“Ele já é considerado foragido e estamos em busca de justiça”, afirmou a delegada, reforçando o pedido de ajuda da população.
O caso de Alice é mais do que uma tragédia individual. É o retrato de um país em que a cada sete horas uma mulher é assassinada simplesmente por ser mulher. Em que a gravidez, ao invés de ser um símbolo de nova vida, torna-se motivo de morte. Em que o companheiro, que deveria proteger, vira o algoz.
A comoção em Campo Maior é imensa. Alice era conhecida, querida, cheia de planos - que morreram junto com ela nas águas do Surubim. Agora, a cidade quer justiça. E justiça começa com a prisão do principal suspeito.
Há perguntas que ainda pairam: Alice foi morta no local onde foi encontrada ou foi jogada ali? Há sinais de luta ou outras lesões? O bebê teria sobrevivido se houvesse socorro imediato? Alguém ajudou Darlan a fugir?
A resposta a essas perguntas não trará Alice de volta. Mas poderá impedir que outras histórias terminem com o mesmo desfecho. A dor da família, dos amigos e da cidade só terá algum consolo quando a verdade for exposta - e o culpado, julgado.
Enquanto isso, a memória de Alice exige que a justiça corra mais do que os pés do foragido.
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