
O desaparecimento da jovem Alice Borges, de apenas 25 anos, terminou da forma mais temida por sua família: com a descoberta de seu corpo na manhã deste domingo (20), boiando na Barragem do Rio Surubim, em Campo Maior, no Norte do Piauí. A confirmação da morte encerra um ciclo de angústia iniciado no sábado à noite, quando Alice sumiu misteriosamente após sair de casa. Mas, ao mesmo tempo, abre uma série de perguntas perturbadoras que o Estado precisa - e deve - responder.
O que aconteceu com Alice? Foi vítima de feminicídio? Morreu afogada? Tirou a própria vida? Há indícios de violência? Alguém foi visto com ela nas últimas horas? Por que as circunstâncias da morte ainda são envoltas em tanto mistério?
O corpo foi encontrado por populares que caminhavam pela região da barragem. Perto dali, estavam os pertences de uma mulher: roupas, objetos pessoais e uma garrafa de bebida alcoólica. Horas antes, a Polícia Militar havia feito buscas no local após relatos de desaparecimento, mas sem sucesso. O corpo só emergiu na manhã seguinte.
Alice vivia com a avó no bairro Parque Recreio e era mãe de três crianças. Segundo familiares, estava grávida. Era jovem, tinha uma vida inteira pela frente e, ainda assim, desapareceu de forma súbita e trágica. As investigações preliminares falam em “afogamento”, mas há mais perguntas do que respostas.
Circula uma hipótese de que o afogamento teria sido provocado por seu próprio companheiro. Outra versão, também não confirmada, sugere que Alice teria se jogado na água. As duas hipóteses não podem coexistir sem uma análise técnica rigorosa. Afinal, foi suicídio ou homicídio? E se foi homicídio, quem matou Alice Borges?
A Polícia Civil agora tem a responsabilidade de conduzir uma investigação célere, responsável e transparente. Exames periciais devem esclarecer se houve violência física, se há sinais de luta, ou se a morte decorre realmente de afogamento acidental ou provocado.
O caso de Alice não pode se juntar à estatística silenciosa de mulheres que somem e reaparecem sem vida no interior do Piauí. A resposta das autoridades precisa ir além do "estamos investigando". É necessário informar a sociedade, proteger testemunhas e acolher a família.
Três crianças ficaram sem a mãe. Uma avó, sem a neta. E uma cidade inteira, chocada, aguarda respostas que não podem mais ser adiadas.
A morte de Alice Borges precisa ser esclarecida. É uma urgência moral, social e institucional. A justiça não pode ser apenas para quem aparece no noticiário nacional. Tem que ser também - e principalmente - para quem vive nas bordas da visibilidade, como Alice, mulher jovem, mãe solo, pobre e piauiense.
O caso está agora nas mãos da Delegacia de Campo Maior. Espera-se que o silêncio que marcou o desaparecimento de Alice não se repita na apuração de sua morte. E que, desta vez, a Justiça venha - inteira, rápida e verdadeira.
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