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Padrasto de Tatiana Medeiros é apontado pela PF como operador do esquema criminoso; lista de eleitores evidencia compra de voto

Padrasto de vereadora apontado como operador de esquema criminoso: PF acha lista de eleitores e suspeita de infiltração do crime organizado

03/04/2025 às 14h04 Atualizada em 03/04/2025 às 19h54
Por: Douglas Ferreira
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O padrasto da vereadora trabalharia na Sesapi e na Alepi - Foto: Reprodução
O padrasto da vereadora trabalharia na Sesapi e na Alepi - Foto: Reprodução

A investigação da Polícia Federal revelou uma conexão alarmante entre o crime organizado e o processo eleitoral, com a suspeita de infiltração direta de representantes de facções criminosas nas instituições públicas. O padrasto da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), Stênio Ferreira Santos, foi identificado como um dos principais operadores financeiros do esquema investigado na Operação Escudo Eleitoral. A ação, deflagrada nesta quinta-feira (3), também levou à prisão da parlamentar e ao afastamento de diversos envolvidos.

Quem é Stênio Ferreira e qual seu papel no esquema?

Stênio Ferreira ocupava cargos públicos na Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi) e na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), onde era lotado e exercia funções administrativas. Segundo as investigações, ele era responsável por intermediar pagamentos ilegais para a compra de votos e para a lavagem de dinheiro, utilizando o Instituto Vamos Juntos, organização fundada por Tatiana Medeiros.

A relação estreita entre Stênio, o namorado de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos (membro da facção criminosa Bonde dos 40), e Maria Odélia Medeiros, mãe da vereadora, levanta graves suspeitas de um esquema montado para financiar a campanha eleitoral da parlamentar com dinheiro ilícito.

Lista de eleitores e indícios de compra de votos

Durante a apreensão de documentos no Instituto Vamos Juntos, a PF encontrou uma lista detalhada de eleitores e um documento intitulado "Relatório Votos Válidos", que continha registros de pagamentos realizados via PIX a lideranças políticas e eleitores. Também foram recuperadas informações deletadas de aparelhos eletrônicos pertencentes à vereadora, aumentando as suspeitas sobre o esquema.

Diante desses indícios, a Justiça determinou a suspensão imediata das atividades da ONG e bloqueou qualquer repasse de recursos públicos para a instituição.

Medidas judiciais e desdobramentos da Operação Escudo Eleitoral

A Operação Escudo Eleitoral deflagrou uma série de medidas para interromper as ações criminosas e desmantelar o esquema. As decisões judiciais incluem:

  • Prisão preventiva da vereadora Tatiana Medeiros e de seu namorado, Alandilson Passos, já encarcerado em Minas Gerais;

  • Afastamento das funções públicas de Stênio Ferreira (Sesapi e Alepi), da assessora Emanuelly Pinho (Câmara Municipal e Instituto Vamos Juntos) e da própria vereadora;

  • Proibição de acesso dos investigados às dependências das instituições e contato com servidores;

  • Suspensão imediata das atividades do Instituto Vamos Juntos e bloqueio do recebimento de recursos públicos pela ONG;

  • Indisponibilidade e bloqueio de R$ 1 milhão em ativos financeiros de Alandilson Passos;

  • Apreensão do veículo de Maria Odélia Medeiros, mãe de Tatiana Medeiros.

Crime organizado nas instituições: a gravidade da situação

As revelações da Operação Escudo Eleitoral reforçam as suspeitas de que facções criminosas estejam se infiltrando diretamente nas instituições públicas por meio de mandatos eletivos e assessorias estratégicas. A suspeita da Polícia Federal é que Tatiana Medeiros tenha sido eleita com o apoio de uma estrutura financeira criminosa, facilitada por seu padrasto e articulada por seu companheiro, um membro ativo do Bonde dos 40.

A defesa da vereadora ainda não teve acesso completo aos autos, mas já classifica as decisões como "arbitrárias" e "excessivas". No entanto, os elementos apresentados pela investigação reforçam o cerco contra a parlamentar e seus aliados, evidenciando um possível esquema de corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro patrocinado pelo crime organizado.

As próximas fases da investigação deverão esclarecer a extensão da rede criminosa e seu impacto no processo eleitoral. Resta saber quantos outros representantes públicos estão envolvidos nesse esquema e até onde vai a influência do crime organizado dentro do sistema político brasileiro.

 

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