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Polícia AVÓS DO CRIME

O envenenamento que chocou o Brasil: avó e padrasto são responsáveis por oito mortes em Parnaíba

Investigação revela crime premeditado, inocência de vizinha presa injustamente e motivações perturbadoras por trás da tragédia

06/03/2025 às 17h56 Atualizada em 06/03/2025 às 18h07
Por: Douglas Ferreira
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Maria dos Aflitos e Francisco de Assis planejaram e executaram a morte das oito pessoas - Foto: Reprodução
Maria dos Aflitos e Francisco de Assis planejaram e executaram a morte das oito pessoas - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Piauí finalmente concluiu a investigação sobre o envenenamento coletivo que resultou na morte de oito pessoas na periferia de Parnaíba. O caso, um dos mais perturbadores da crônica policial do Estado, revelou um enredo macabro: os responsáveis pelas mortes eram a própria avó das crianças e o marido dela.

A descoberta dos culpados e a inocência da vizinha injustamente presa

A investigação apontou que Francisco de Assis Pereira da Costa, 53 anos, e Maria dos Aflitos Silva, 52 anos, foram os autores dos envenenamentos ocorridos em agosto do ano passado e em janeiro deste ano. As mortes incluíram sete familiares e uma vizinha, o que provocou comoção nacional.

O inquérito, conduzido pelo delegado Abimael Silva, indiciou o casal por 23 crimes, o que pode resultar em penas que ultrapassam 200 anos de prisão. Segundo as investigações, o motivo dos assassinatos foi o ressentimento e as brigas dentro da casa superlotada, onde moravam 12 pessoas em apenas dois quartos, uma sala e uma cozinha.

Uma das principais revelações da investigação foi a inocência de Lucélia Maria da Conceição, vizinha que passou quase quatro meses presa sob a acusação de ter envenenado dois irmãos em agosto. O casal criminoso forjou provas para incriminá-la, desviando o foco da investigação.

A dinâmica dos crimes e o plano cruel do casal

Os assassinatos foram premeditados e meticulosamente planejados. Em agosto, Maria dos Aflitos envenenou os netos João Miguel, 7 anos, e Ulisses Gabriel, 8 anos, com suco misturado com pesticida. O crime chocou a cidade e levou à prisão de Lucélia, erroneamente acusada pelo crime.

Já em janeiro, durante a ceia de Ano Novo, novos envenenamentos ocorreram. O veneno foi misturado ao arroz e aos sucos servidos à família. O resultado foi a morte de cinco crianças, incluindo um bebê de um ano e oito meses, além da mãe das vítimas, Francisca Maria da Silva, e do irmão dela, Manoel Leandro da Silva, de 18 anos. O casal também tentou assassinar uma vizinha, Maria Jocilene da Silva, que sobreviveu ao primeiro envenenamento, mas acabou morrendo após ingerir café contaminado dias depois.

Provas e confissões: as evidências que levaram à prisão do casal

A Polícia encontrou na casa de Francisco de Assis materiais sobre o nazismo e trechos grifados de livros com instruções sobre venenos "sem gosto e cheiro". Inicialmente, ele negou envolvimento, mas Maria dos Aflitos confessou o crime, alegando ter agido por "amor cego" ao marido. Ela admitiu ter colocado veneno no café da vizinha para simular um infarto e inocentar o companheiro.

A perícia comprovou que todas as vítimas foram mortas com pesticida. Francisco ainda tentou enganar a Polícia ao entregar uma sacola de cajus, afirmando que seriam os alimentos envenenados, o que lhe rendeu a acusação de fraude processual.

As acusações formais: os crimes que podem condenar o casal a mais de dois séculos de prisão

Crimes de Francisco de Assis:

  • 4 homicídios triplamente qualificados

  • 3 feminicídios

  • 2 tentativas de feminicídio

  • 1 tentativa de homicídio triplamente qualificado

  • 1 fraude processual

Crimes de Maria dos Aflitos:

  • 4 homicídios triplamente qualificados

  • 4 feminicídios

  • 2 tentativas de feminicídio

  • 1 tentativa de homicídio qualificado

  • 1 denunciação caluniosa

O impacto do caso e os próximos passos da Justiça

A prisão do casal encerra um dos casos mais aterrorizantes do Piauí e levanta questionamentos sobre os erros cometidos na investigação inicial, que levou uma inocente à prisão. As autoridades agora concentram-se na responsabilização do casal e na proteção dos sobreviventes.

A tragédia de Parnaíba não apenas revelou uma história de horror dentro de uma família, mas também expõe as fragilidades no sistema de investigação criminal e na segurança de comunidades vulneráveis. Agora, a população aguarda que a Justiça seja feita e que crimes como esse nunca mais se repitam.

 

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