
Foi-se o tempo em que criminosos temiam ou respeitavam a polícia. Hoje, a realidade é outra: muitas vezes, são os agentes da lei que se veem acuados diante da ousadia e violência dos bandidos. Essa inversão de valores não aconteceu por acaso. Ela é fruto de duas décadas de políticas de segurança pública que, na prática, protegem mais os criminosos do que os cidadãos de bem.
As leis brasileiras, cada vez mais permissivas, beneficiam assassinos, estupradores e narcotraficantes. Um criminoso pode cometer um crime hoje, ser preso pela polícia e, no dia seguinte, sair sorrindo após uma audiência de custódia. Enquanto isso, as forças de segurança enfrentam restrições que limitam sua capacidade de reação. Há até quem defenda que um policial só possa atirar depois de ser alvejado - uma ideia absurda que custa vidas e fortalece a impunidade.
O ataque a um policial em Teresina e a fragilidade do sistema
O episódio mais recente dessa realidade cruel aconteceu nesta quarta-feira (26), na Zona Sul de Teresina. Um policial civil do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) foi baleado no peito por um criminoso durante uma operação no Residencial Terra Prometida, no bairro Cristo Rei. O agente só não morreu porque usava um colete balístico, mas ainda assim ficou ferido e precisou ser encaminhado ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). O criminoso foi preso, mas por quanto tempo?
Segundo o delegado Charles Pessoa, coordenador do DRACO, os policiais faziam buscas em imóveis próximos à residência do suspeito quando foram surpreendidos. O homem, ao avistar a equipe, sacou uma arma e disparou contra os agentes.
“Ele reagiu à abordagem policial efetuando disparos, um dos quais atingiu um de nossos agentes. Felizmente, o policial estava de colete balístico, que salvou sua vida. Diante da agressão, nossa equipe reagiu e atingiu o criminoso no braço. Imediatamente, prestamos socorro e o encaminhamos para o HUT”, explicou o delegado.
Um criminoso reincidente: por que ainda estava solto?
O caso se torna ainda mais revoltante quando se descobre que o criminoso já era um velho conhecido da polícia. Ele estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica e tinha passagens por homicídio, roubo e organização criminosa. Ou seja, deveria estar atrás das grades, mas graças ao sistema falho e permissivo, continuava nas ruas, armado e pronto para atacar.
O episódio escancara o ciclo vicioso da impunidade no Brasil: a polícia prende, a Justiça solta, e a criminalidade segue desenfreada. Enquanto isso, os agentes de segurança pública continuam a arriscar suas vidas em um jogo injusto, onde o bandido tem todas as vantagens e o policial, todas as restrições. Até quando essa situação vai persistir? Quantos ainda precisarão ser feridos ou mortos para que a segurança pública volte a cumprir seu verdadeiro papel?
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